funcoes cerebrais

Porque fazer triagem auditiva no adulto?

Há pelo menos 15 anos temos disponível para os recém nascidos o exame de otoemissões acústicas, também conhecido como teste da orelhinha. O mesmo passou a ser obrigatório em recém nascidos nos bebês por lei federal no ano de 2010. Esse teste nos ajuda a identificar as crianças que podem ter algum grau de surdez, investigá-las melhor e, quando confirmado o diagnóstico, tratá-las com aparelhos auditivos ou implantes cocleares, associados à terapia fonoaudiológica. Essa abordagem vem revolucionando o prognóstico de muitas das crianças que nascem surdas, proporcionando a elas uma vida mais integrada à sociedade.

Nos últimos anos também tobservamos maior atenção à possibilidade de perda auditiva nas crianças em idade escolar, seja através da exigência do exame de audiometria pela própria escola para matrícula, seja pela iniciativa mais comum dos pediatras em solicitar o exame. O efeito tem sido a detecção mais frequente de otites “silenciosas” e perdas auditivas menos graves ou unilaterais, que muitas vezes passariam desapercebidas. Também nessa faixa etária, essas medidas permitem o tratamento precoce, minimizando os prejuízos e sequelas de uma surdez não identificada precocemente.

Finalmente vemos chegar aos cuidados de adultos e idosos o início da prática de se avaliar a audição rotineiramente. Após a recente divulgação de estudos mostrando os prejuízos cognitivos e emocionais que a surdez pode causar (leia mais aqui), a preocupação que antes era de geriatras, otorrinolaringologistas e fonoaudiólogos vem se tornando cada vez mais difundida. Outro estudo sobre sobre a plasticidade das vias auditivas vêm sugerindo que se demorarmos para agir nas perdas auditivas em adultos, mesmo nas perdas pequenas, as vias cerebrais responsáveis pela audição podem ser transformadas e mesmo definitivamente “perdidas”.

Há muitos sinais de uma possivel perda auditiva na idade adulta. Conheça alguns deles:

  • Dificuldade de compreender a fala. “Eu ouço, mas não entendo!”
  • Começar a reclamar que os outros “falam pra dentro”.
  • Passar a aumentar o volume da TV ou do som.
  • Isolamento, perda do interesse no contato social ou familiar.

Embora não haja uma idade padronizada para sua indicação, a audiometria é um exame rápido, bastante disponível e não invasivo e não há motivo para que adultos, e principalmente idosos, deixem de realiza-lo rotineiramente.

Luciano Moreira – Otorrinolaringologista