Septoplastia – Desvio de Septo

desvio de septo rinoplastia

O DESVIO DE SEPTO

Há duas razões para uma pessoa a ser submetida à cirurgia do nariz: Funcional, para correção do desvio de septo e outras alterações que impedem a boa respiração e estético, para corrigir características externas que incomodem o paciente. Os procedimentos necessários para correção destas alterações podem ser realizados juntos ou isoladamente.

Neste texto falarei do desvio de septo nasal e da septoplastia. Trata-se da cirurgia empregada  para aliviar as queixas de nariz entupido, sinusites de repetição, dores de cabeça, dificuldades no olfato e no paladar.

O septo nasal é uma “parede” constituída em parte por uma fina lâmina óssea e cartilagem. Essa estrutura, recoberta pela mucosa nasal, separa as fossas nasais dos dois lados. Em algumas pessoas, o septo pode acabar saindo da linha média, se posicionando muito “desviado” para um ou ambos os lados. O desvio do septo pode ser causado por traumas e falhas no crescimento, impedindo o bom fluxo de ar pelo nariz. Essa má ventilação piora a qualidade respiratória, com impacto importante no sono e no dia a dia.

SEPTOPLASTIA, RINOPLASTIA E RINOSSEPTOPLASTIA

Septoplastia é a cirurgia realizada para corrigir o desvio de septo. Na maioria das vezes, realizamos a septoplastia sob anestesia geral. Em casos mais simples ou retoques de cirurgias já feitas, podemos optar pela anestesia local com sedação.

O septo nasal, como todo o restante da cavidade nasal, é coberto pela mucosa nasal. O primeiro passo da cirurgia consiste em se levantar esta cobertura, para que se exponha todas as alterações ósseas e cartilaginosas do septo. Após a remoção e remodelagem das áreas desviadas,  a mucosa nasal é reposicionada e suturada.

Já a rinoplastia é a técnica cirúrgica aplicada para a correção das alterações estéticas, ou externas, do nariz. Num grande número de pacientes lançamos mão da rinosseptoplastia, união das duas técnicas, para proceder uma cirurgia que tenha tanto o objetivo de melhorar a respiração, quanto a estética. Para saber mais sobre a rinoplastia, clique aqui.

No passado era comum o uso de tampões nasais após o término da cirurgia. Tanto a permanência quando a remoção do tampão nasal eram rodeadas de muitas queixas. O uso rotineiro do tamponamento acabou para contribuir para a péssima fama da cirurgia nasal, o que faz com que até hoje muitos pacientes candidatos a esses procedimentos cheguem ao consultório paralisados de medo. Felizmente, esse medo hoje é injustificado. Pessoalmente, não uso os tampões de forma rotineira desde 2002, bem como a maioria dos cirurgiões nasais. A experiência de sair da cirurgia respirando pelo nariz e sem as dores causadas pelos tampões é radicalmente diferente do passado, sendo o pós-operatório atual praticamente indolor.

AVANÇOS: CIRURGIA ENDOSCÓPICA E O FIM DO TAMPÃO NASAL

Cirurgia endoscópica septo nasal

Disposição da equipe nas sala de cirurgia

Grande parte dessa evolução da cirurgia nasal e da melhora da experiência do paciente operado tem a ver com o uso da vídeo-endoscopia na cirurgia.  Fazendo uso de uma fibra ótica de 3 ou 4 mm de espessura, acoplada à câmeras de alta definição (foto ao lado), podemos hoje “entrar no nariz” dos pacientes.

De maneira minimamente invasiva, temos uma visão detalhada de todas alterações anatômicas. Isso permite uma correção precisa do desvio de septo, sem trauma desnecessário. Depois de realizadas todas as correções, a visão endoscópica permite observar e cauterizar todas as áreas sangrantes, evitando o uso dos tampões nasais.

CUIDADOS PRÉ E PÓS-OPERATÓRIOS

Existe uma rotina de cuidados aplicados antes e após a cirurgia, com o objetivo de melhorar a experiência do pacientes, minimizando riscos e maximizando resultados. Seguem alguns deles:

PRÉ-OPERATÓRIO PARA CORREÇÃO DO DESVIO DE SEPTO

  • Realização dos exames pré-operatórias adequados para cada paciente, dependendo da idade e condições clínicas.
  • Todas as medicações usadas rotineiramente devem ser informadas ao médico. Anti-inflamatórios, aspirina e anti-coagulantes devem ser suspensos 7 a 10 dias antes da cirurgia.

O DIA DA CIRURGIA

  • No dia, o paciente comparecerá ao hospital cerca de uma hora e meia antes da hora marcada para cirurgia, em jejum de 8 horas, inclusive de água.
  • Todos os exames relacionados à cirurgia devem ser levados ao hospital.
  • Já no hospital, tendo passado pelo procedimento de internação, o paciente será encaminhado ao seu quarto, onde trocará de roupa e aguardará o momento do deslocamento para o centro cirúrgico.
  • Dependendo do grau de ansiedade de cada paciente pela cirurgia, pode ser necessário o uso de um calmante antes da ida para a sala de cirurgia.

PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO – Primeiras 4 horas

  • Após ter acordado ainda na sala de cirurgia o paciente será levado à sala de recuperação dentro do próprio centro cirúrgico ou retornará diretamente para o quarto, dependendo de suas condições clínicas. Não é comum a ocorrência de dor após a septoplastia.
  • Neste período alguns pacientes têm náuseas e mais raramente vômitos (que podem conter sangue), que costumam ser passageiros e não comprometem a cirurgia.
  • Pequenos sangramentos nasais também podem ocorrer e por isso usamos um curativo tipo “bigode” preso abaixo do nariz, que poderá ser trocado várias vezes, se necessário.
  • A melhor orientação para essas primeiras horas é deixar o paciente descansar, de preferência dormir, para que possa eliminar as medicações anestésicas ainda circulantes em sua corrente sanguínea.

Normalmente o paciente sai do centro cirúrgico com uma gaze presa com esparadrapo obstruindo parcialmente as narinas (“bigode”). Nos casos de plástica nasal também poderão ser posicionados curativos especiais sobre o nariz.

PÓS-OPERATÓRIO TARDIO – Até 30 dias

  • A dieta nos primeiros 2-3 dias deverá ser líquida e pastosa, sempre fria ou na temperatura ambiente. Exemplos: água, leite, sucos, água-de-coco, sopas frias, iogurtes, sorvetes, gelatinas. Entre o terceiro e quarto dias deverá ser iniciada a dieta mais sólida podendo o paciente se alimentar (quase) normalmente.
  • O desconforto da primeira semana ocorre pela obstrução nasal. A correta limpeza nasal e o uso de soluções salinas em spray ajudam a aliviar esta queixa. Nas três semanas seguintes, a obstrução ainda pode incomodar, porém em intensidade menor.
  • Inchaço do rosto e dos olhos podem ocorrer entre o segundo e sétimo dias, apenas quando houver correção estética do nariz (rinoplastia) associada.
  • Exercícios físicos de qualquer tipo estão proibidos nesta fase. Corrida, bicicleta ou musculação normalmente podem ser retomadas após um mês.
  • Ainda nesta fase, entre a segunda e quinta semanas, é comum a eliminação de crostas pretas e duras de dentro do nariz, causadas pelo sangue coagulado e seco.