Septoplastia – Desvio de Septo

desvio de septo rinoplastiaDESVIO DO SEPTO NASAL – SEPTOPLASTIA

Existem dois motivos que podem levar uma pessoa a ser submetida à cirurgia do nariz: 1. Funcional através da septoplastia, causado pelo desvio de septo nasal e 2. Estético, quanto à forma e aparência nasal. Os procedimentos necessários para correção destas alterações podem ser realizados juntos ou isoladamente.

Neste texto falarei do desvio de septo nasal e da septoplastia, cirurgia normalmente empregada  para aliviar as queixas de nariz entupido, dificuldade de respirar durante exercícios físicos, sinusites de repetição, dores de cabeça, dificuldades no olfato e no paladar.

O septo nasal é uma “parede” constituída em parte por uma fina lâmina óssea e o restante por uma cartilagem. Essa estrutura, recoberta pela mucosa nasal, separa lado a lado as duas fossas nasais. Em algumas pessoas, o septo pode acabar saindo da linha média, se posicionando muito “desviado” para um ou ambos os lados. Traumas nasais e falhas no crescimento da face durante a infância e a adolescência estão entra as causas mais comuns dessa deformidade, impedindo o bom fluxo de ar pelo nariz. Essa má ventilação acaba por trazer as queixas e problemas mencionados acima, piorando bastante a qualidade respiratória, do sono e da vida em geral. Afinal, a respiração é uma das funções mais básicas do ser humano e quando ela vai mal, gera uma série de outros problemas.

SEPTOPLASTIA, RINOPLASTIA E RINOSSEPTOPLASTIA

A septoplastia é a cirurgia realizada para reposicionar o septo da forma mais reta possível. Tenho preferência por efetuar a septoplastia sob anestesia geral. Além de ser um procedimento extremamente controlado, sinto-me mais a vontade sabendo que o paciente tem sua via aérea protegida e não sente nenhum desconforto pela minha manipulação dentro do seu nariz. Em casos mais simples ou retoques de cirurgias já feitas, podemos optar pela anestesia local com sedação.

O septo nasal, como todo o restante da cavidade nasal, é coberto pela mucosa nasal. O primeiro passo da cirurgia consiste em se levantar esta cobertura, para que se exponha todas as alterações ósseas e cartilaginosas do septo. Após a remoção e remodelagem das áreas desviadas,  a mucosa nasal é reposicionada e suturada.

Já a rinoplastia é a técnica cirúrgica aplicada para a correção das alterações estéticas, ou externas, do nariz. Num grande número de pacientes lançamos mão da rinosseptoplastia, união das duas técnicas, para proceder uma cirurgia que tenha tanto o objetivo de melhorar a respiração, quanto a estética. Falo mais do procedimento estético em outro artigo.

No passado era comum o uso de tampões nasais após o término da cirurgia, com intuito de evitar hemorragias pós-operatórias. Esse tampões permaneciam por 24 a 72 horas e depois eram removidos. Tanto a permanência quando a remoção do tampão nasal eram rodeadas de muitas queixas. O uso rotineiro do tamponamento acabou para contribuir para uma péssima fama da cirurgia nasal como um todo, o que faz com que até hoje muitos pacientes candidatos a esses procedimentos cheguem ao consultório paralisados de medo. Gradualmente o uso do tampão nasal vem sendo abandonado. Pessoalmente não os uso de forma rotineira desde 2002. A experiência dos pacientes de saírem da cirurgia podendo respirar pelo nariz e sem as dores causadas pelos tampões é radicalmente diferente do passado, sendo o pós-operatório atual praticamente indolor.

AVANÇOS: CIRURGIA ENDOSCÓPICA E O FIM DO TAMPÃO NASAL

Cirurgia endoscópica septo nasal

Disposição da equipe nas sala de cirurgia

Grande parte dessa evolução da cirurgia nasal e da melhora da experiência do paciente operado tem a ver com a introdução dos endoscópios na otorrinolaringologia. A videoendoscopia consiste numa técnica que mudou radicalmente não só a manipulação mas o entendimento de várias doenças nasais e, mais recentemente, dos ouvidos. Fazendo uso de uma fibra ótica de 3 ou 4 mm de espessura, acoplada à câmeras de alta definição (foto ao lado), podemos hoje “entrar no nariz” dos pacientes e termos uma visão rica e detalhada de todas alterações anatômicas e patológicas. Para os residentes e cirurgiões mais jovens que já iniciaram suas carreiras na era pós-endoscópica, fica difícil até imaginar como se poderia operar antes sem essa tecnologia.  Assim, graças à videoendoscopia, operamos hoje causando menos traumas desnecessários na mucosa nasal, com consequente menos sangramento. Além disso, após o término do trabalho, podemos observar eventuais áreas sangrantes e cauteriza-las sob visão endoscópica, evitando finalmente o uso dos tampões nasais.

 

 

RISCOS E CUIDADOS PRÉ E PÓS-OPERATÓRIOS

Existe uma rotina de cuidados aplicados antes e após a cirurgia com o objetivo de melhorar a experiência do pacientes, minimizando riscos e maximizando resultados. Seguem alguns deles:

PRÉ-OPERATÓRIO

  • Realização dos exames pré-operatórias adequados para cada paciente, dependendo da idade e condições clínicas.
  • Todas as medicações usadas rotineiramente devem ser informadas ao médico. Anti-inflamatórios, aspirina e anti-coagulantes devem ser suspensos 7 a 10 dias antes da cirurgia.

O DIA DA CIRURGIA

  • No dia, o paciente comparecerá ao hospital cerca de uma hora e meia antes da hora marcada para cirurgia, em jejum de 8 horas, inclusive de água.
  • Todos os exames relacionados à cirurgia devem ser levados ao hospital.
  • Já no hospital, tendo passado pelo procedimento de internação, o paciente será encaminhado ao seu quarto, onde trocará de roupa e aguardará o momento do deslocamento para o centro cirúrgico.
  • Dependendo do grau de ansiedade de cada paciente pela cirurgia, pode ser necessário o uso de um calmante antes da ida para a sala de cirurgia.

PÓS-OPERATÓRIO IMEDIATO – Primeiras 4 horas

  • Após ter acordado ainda na sala de cirurgia o paciente será levado à sala de recuperação dentro do próprio centro cirúrgico ou retornará diretamente para o quarto, dependendo de suas condições clínicas. Não é comum a ocorrência de dor após a septoplastia.
  • Neste período alguns pacientes têm náuseas e mais raramente vômitos (que podem conter sangue), que costumam ser passageiros e não comprometem a cirurgia.
  • Pequenos sangramentos nasais também podem ocorrer e por isso usamos um curativo tipo “bigode” preso abaixo do nariz, que poderá ser trocado várias vezes, se necessário.
  • A melhor orientação para essas primeiras horas é deixar o paciente descansar, de preferência dormir, para que possa eliminar as medicações anestésicas ainda circulantes em sua corrente sanguínea.

Normalmente o paciente sai do centro cirúrgico com uma gaze presa com esparadrapo obstruindo parcialmente as narinas (“bigode”). Nos casos de plástica nasal também poderão ser posicionados curativos especiais sobre o nariz.

PÓS-OPERATÓRIO TARDIO – Até 30 dias

  • A dieta nos primeiros 2-3 dias deverá ser líquida e pastosa, sempre fria ou na temperatura ambiente. Exemplos: água, leite, sucos, água-de-coco, sopas frias, iogurtes, sorvetes, gelatinas. Entre o terceiro e quarto dias deverá ser iniciada a dieta mais sólida podendo o paciente se alimentar (quase) normalmente, evitando ainda alimentos muito quentes e de difícil mastigação e digestão. A dieta normalmente pode ser normalizada uma semana após a cirurgia.
  • O desconforto que quase sempre ocorrerá neste período será causado pela obstrução nasal, principalmente na primeira semana. A correta limpeza nasal e o uso de soluções salinas em spray ajudam a aliviar esta queixa. Nas três semanas seguintes, a obstrução ainda pode incomodar, porÉm em intensidade menor, até a melhora completa, que ocorre de 10 a 30 dias após a cirurgia.
  • Inchaço do rosto e dos olhos podem ocorrer entre o segundo e sétimo dias, apenas quando houver correção estética do nariz (rinoplastia) associada.
  • Exercícios físicos de qualquer tipo estão proibidos nesta fase. Caso tenha sido necessária a realização de fratura dos ossos nasais, exercícios físicos de contato como o futebol, basquete, lutas marciais etc, devem ser evitados por 3 meses. Corrida, bicicleta ou musculação normalmente podem ser retomadas após um mês.
  • Ainda nesta fase, entre a segunda e quinta semanas, é comum a eliminação de crostas pretas e duras de dentro do nariz, causadas pelo sangue coagulado e seco.

 

Luciano Moreira – OtorrinolaringologistaLuciano Moreira