Os Riscos do Ronco em Crianças

Não é novidade que os distúrbios respiratórios do sono causam dificuldades no desenvolvimento das crianças. Muitos estudos já evidenciaram sérias consequências cognitivas nas crianças com apneia do sono. Entretanto algumas perguntas ainda ficavam sem respostas: Em quais crianças essas consequências acontecem? Que nível de apneia é necessário para se causar problemas cognitivos? E o ronco em crianças que não têm apneia, representa um risco? Um novo estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Chicago e publicado na American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine de setembro começa a responder essas perguntas.

O Estudo de Chicago

Os pesquisadores avaliaram prospectivamente 1010 crianças entre 5 e 7 anos de idade. Todos foram submetidos à polissonografia em laboratório do sono e à avaliação neurocognitiva para mensurar suas habilidades intelectuais, de atenção, memória, linguagem e funções executivas. A partir daí, as crianças foram divididas em 7 grupos, conforme a presença e a gravidade dos distúrbios respiratórios do sono. Em seguida, os resultados dos testes neuropsicológicos foram confrontados com os achados polissonográficos. A análise dos resultados mostrou um pior desempenho cognitivo nas crianças com apneia do sono, especialmente naquelas classificadas como moderadas à grave. Chamou atenção o fato de que mesmo as crianças que roncam, mas não receberam o diagnóstico de apneia do sono, apresentaram desempenho neuropsicológico pior do que as crianças que não roncam. 

Causas do Ronco e da Apneia em Crianças

O ronco em crianças é um sinal de que existe um obstrução respiratória durante o sono. Nessa faixa etária, a causa mais comum para essa obstrução é o aumento das amígdalas e adenoides. Toda criança que apresenta roncos deve passar por uma avaliação médica em busca de obstruções no nariz e na garganta que justifiquem o quadro. Uma vez identificado, o tratamento é inicialmente clínico, com medicações orais e tópicas. Nos quadros mais graves, em que não se consegue reverter o ronco com medicamentos, a cirurgia das amígdalas ou da adenoide pode promover a desobstrução necessária, com cura do ronco e da apneia do sono.  A faixa etária das crianças do estudo de Chicago coincide com uma das fases mais escolares mais importantes, no ganho de linguagem e na alfabetização. O estudo conclui que a identificação e o tratamento precoce dos distúrbios obstrutivos do sono ajuda a prevenir danos importantes no desenvolvimento escolar e intelectual das crianças.