Timpanoplastia

TimpanoplastiaTimpanoplastia – Avanços na Cirurgia do Tímpano Perfurado

É comum aprendermos desde criança que se alguém “fura o tímpano, fica surdo”. Pura crendice! Embora a membrana do tímpano desempenhe um papel importante na fisiologia da audição, uma perfuração na sua integridade – sem danos a outras estruturas do ouvido – costuma causar uma surdez apenas leve ou moderada. Nesse artigo procurarei abordar os detalhes da timpanoplastia, cirurgia que se destina a reparar as perfurações timpânicas.

O que é a Timpanoplastia?

A timpanoplastia é a cirurgia indicada para tratamento de perfurações da membrana do tímpano. Essas perfurações costumam surgir como sequela de traumas ou de infecções do ouvido médio. No procedimento, costumamos utilizar um enxerto, que podem ser compostos de fáscia, pericôndrio ou cartilagem da própria orelha, para fechar a perfuração. Na dependência da gravidade do processo que originou a lesão timpânica, pode haver dano complementar também aos ossículos da audição (martelo, bigorna e estribo). Nessa eventualidade, além de reconstruir o tímpano, também precisamos tentar recompor da melhor maneira possível essa cadeia ossicular.

Quando ela está indicada?

A timpanoplastia está indicada nos casos de perfurações timpânicas. Nessa situações, além de alguma perda auditiva, a pessoa fica impedida tomar banhos de piscina ou de praia normalmente, uma vez que a água pode “passar pela perfuração” e causar infecções. Em outros casos, os pacientes podem se queixar de secreção nos ouvidos sempre que ficam resfriados ou gripados.

Em pacientes com outras complicações clínicas, que não apresentem sintomas ou não desejam frequentar piscina ou praia, há a possibilidade de acompanhar o quadro clinicamente, sem cirurgia.

Como me preparar para cirurgia?

Planeje-se para a sua recuperação após a cirurgia. Você precisará de tempo para descansar e não poderá fazer tarefas que demandem força ou agilidade. também importante que você não tenha viagens aéreas marcadas para os dois primeiros meses após a cirurgia, já que o tímpano ainda estará em cicatrização e poderia ser afetada pela pressão.

Tente contar com a ajuda de alguém nos primeiros 2-3 dias. Na noite anterior a cirurgia, procure comer algo leve e faça jejum de 8 horas de antecedência em relação ao horário agendado para sua cirurgia.

O que acontece durante o procedimento?

(Avanços técnicos)

Após ser realizada a anestesia, nós deslocamos a membrana do tímpano de sua posição original e, sob visão de um microscópio, exploramos a cavidade do ouvido médio em busca de outros possíveis danos aos ossículos da audição, especialmente a bigorna e o estribo. Feito o diagnóstico cirúrgico das lesões, partimos para reparação das estruturas.

Nos últimos anos, temos utilizado os endoscópios, além do microscópio, o que nos fornece uma visão ampliada das estruturas anatômicas envolvidas na cirurgia. Na nossa experiência, a timpanoplastia é uma das técnicas cirúrgicas que mais se beneficiou da tecnologia endoscópica. Até bem pouco tempo atrás a escolha do acesso cirúrgico, isto é, se feito pelo canal (por dentro do ouvido) ou retroauricular (com um corte atrás da orelha) era baseado no tamanho e localização de perfuração timpânica, bem como o calibre do conduto auditivo de cada paciente. Com o uso dos endoscópios nós praticamente abandonamos a necessidade raspar cabelos ou do corte atrás da orelha.  Toda novidade técnica costuma vir envolta em muita controvérsia, como o caso da atual discussão entre cirurgiões sobre a melhor ferramenta de visão para as cirurgias da orelha média. Nossa equipe vem usando o endoscópio de maneira complementar, aplicando a chamada abordagem híbrida, obtendo o melhor que cada uma das ferramentas – endoscópio e microscópio – podem oferecer. Em 2015 tive a oportunidade de apresentar a filosofia da abordagem híbrida em dois congressos internacionais de cirurgia endoscópica do ouvido, em Dubai e em Nice. Para os interessados, segue abaixo o vídeo de uma timpanoplastia endoscópica com reconstrução da cadeia ossicular.

Como é a recuperação da cirurgia?

Na grande maioria dos casos, nossos pacientes submetidos a timpanoplastia permanecem de 6-10 horas no hospital, sem necessidade de pernoite. O pós operatório costuma ser indolor. Devido ao tamponamento e curativo do ouvido, o paciente pode ter a sensação de ouvido cheio, ou água no ouvido.

Indicamos repouso relativo em casa por cerca de 5-7 dias, enquanto o tímpano se cicatriza.

Quais são os benefícios da cirurgia?

O sucesso com o fechamento da perfuração timpânica e na eventual reconstituição da cadeia ossicular. Isso costuma se refletir numa melhora da audição. Além disso, os pacientes passam a poder molhar o ouvido e frequentar praia ou piscina sem o medo de desenvolverem infecções do ouvido.

Quais são os riscos?

O risco mais frequente da timpanoplastia é o de não conseguir o completo fechamento da membrana timpânica. Como esse risco é dependente do tamanho da perfuração e e do grau de inflamação crônica do ouvido,  não é possível estabelecer um percentual de falhas de maneira geral.
Quando um nervo que ajuda no paladar (corda do tímpano) é afetado dentro do ouvido, você pode sentir um gosto metálico na borda lateral da língua que melhora espontaneamente em 95% dos casos em até 6 meses.
A audição pode não melhorar
Raramente pode haver infecção ou sangramento.
Nos casos de reconstrução da cadeia ossicular, a prótese pode sair do lugar, sendo necessário outra cirurgia para sua recolocação.
Ainda mais raramente (- de 1% dos casos), a audição pode piorar.

 

LEITURA COMPLEMENTAR

US National Library of Medicine