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A Otosclerose TEM CURA?

a otosclerose tem cura

Se você foi diagnosticado com otosclerose, é muito provável que tenha feito uma pergunta imediata: “A otosclerose tem cura?” É uma preocupação absolutamente legítima. Afinal, está enfrentando uma perda auditiva progressiva e quer saber se há caminho para recuperar a audição que está perdendo.

A resposta é complexa e merece ser explicada com clareza: otosclerose não tem cura no sentido tradicional (como tomar um medicamento e o problema desaparecer), mas tem tratamento muito eficaz que em muitos casos pode restaurar completamente a audição através da estapedectomia, uma cirurgia com taxa de sucesso superior a 85%.

É a diferença entre “cura” e “controle/restauração”. E essa diferença é absolutamente importante para você entender antes de tomar decisões sobre seu tratamento.

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Como especialista em otologia com mais de 25 anos tratando pacientes com otosclerose, vou explicar detalhadamente: o que é a doença, por que não tem cura medicamentosa, como o corpo é afetado, e por que a estapedectomia é tão eficaz em devolver a audição perdida.

O Que É Otosclerose? A Biologia da Doença

Otosclerose é uma doença do ouvido interno onde há crescimento anormal de osso no redor do estribo (um dos três ossículos auditivos), causando fixação desse ossículo e perda de audição progressiva.

Para entender por que não tem “cura medicamentosa”, você precisa entender a biologia:

Como Funciona a Audição Normal

Quando som entra no seu ouvido:

  1. Ouvido externo capta as ondas sonoras
  2. Tímpano vibra com essas ondas
  3. Três ossículos (martelo, bigorna e estribo) transferem essas vibrações para o ouvido interno
  4. Ouvido interno (cóclea) converte vibrações em sinais elétricos
  5. Nervo auditivo leva esses sinais para o cérebro

Cada etapa é crítica. Se uma falhar, a audição sofre.

O Que Acontece na Otosclerose

Na otosclerose, há um crescimento anormal de osso na base do estribo (onde ele se conecta à janela oval, a entrada do ouvido interno). Esse crescimento:

  • Fixa o estribo – ele não consegue mais vibrar livremente
  • Reduz a transmissão de som – como se alguém tivesse colocado uma “trava” nesse ossículo
  • Piora progressivamente – o crescimento ósseo continua, a perda auditiva piora

É uma doença progressiva: a maioria dos pacientes nota piora clara ao longo dos anos.

É importante destacar que alguns pacientes apresentam a forma coclear da otosclerose. Nesses casos, a doença acomete a cóclea e provoca perda auditiva neurossensorial, que pode ocorrer isoladamente ou associar-se à perda auditiva condutiva causada pela fixação do estribo.

A cirurgia sobre a cadeia ossicular corrige apenas o componente condutivo da perda auditiva e não reverte a perda neurossensorial, pois o dano está localizado no ouvido interno, estrutura que não pode ser reparada cirurgicamente. Por esse motivo, esses pacientes podem necessitar de aparelhos auditivos e, nos casos mais avançados ou com benefício limitado, de implante coclear.

Por que não há uma “Cura” Medicamentosa para a OTOSCLEROSE?

Essa é a pergunta que todo paciente faz: “Não existe um remédio que dissolva esse osso ou pare o crescimento?”

A resposta é: não existe medicamento comprovadamente eficaz, apesar de décadas de pesquisa. Aqui estão os motivos:

1. A Biologia da Otosclerose Ainda Não é Totalmente Compreendida

Sabemos que:

  • Há componente genético (60% dos casos têm história familiar)
  • Hormônios femininos envolvidos 
  • Possível inflamação/imunidade envolvida
  • Fatores ambientais ainda em discussão

Mas não conhecemos o mecanismo exato para conseguir uma intervenção medicamentosa precisa.

2. O Osso Crescido é Mecanicamente “Travado”

Mesmo que conseguíssemos parar o crescimento, o osso já crescido não desaparece. É osso vivo, integrado ao esqueleto. Não é como um tumor que pode ser destruído – é estrutura óssea do corpo.

3. Pesquisas com Medicamentos Não Mostraram Eficácia

Diversos medicamentos foram testados ao longo dos anos:

  • Fluoreto de sódio – não mostrou benefício consistente
  • Bisfosfonatos – não param a progressão da doença e podem ter efeitos colaterais sérios
  • Anti-inflamatórios – efeito mínimo
  • Vitamina D e cálcio – sem eficácia comprovada

Nenhum medicamento conseguiu parar de forma consistente o crescimento ósseo.

4. A Anatomia do Ouvido Interno Torna a Intervenção Complexa

O ouvido interno é uma estrutura microscópica e extremamente delicada. Qualquer medicamento precisaria:

  • Alcançar especificamente a janela oval
  • Não danificar as estruturas auditivas sensíveis
  • Ter ação rápida o suficiente

Isso é biologicamente muito desafiador.

“Cura” vs “Tratamento”: Qual é a diferença na otosclerose?

É importante esclarecer:

Cura (no sentido tradicional)

  • Medicamento que elimina a causa da doença
  • Restauração total sem deixar sequelas
  • Ausência de recidiva

Otosclerose não atende a esses critérios medicamentosos.

Tratamento/Restauração (o que a estapedectomia oferece)

  • Procedimento que resolve o problema mecânico
  • Restauração completa ou quase completa da audição
  • Solução permanente

A estapedectomia oferece isso com excelência.

Estapedectomia: A Solução para Otosclerose do Estribo

A estapedectomia é uma cirurgia microscópica que remove o estribo fixado e o substitui por um implante artificial, restaurando a transmissão do som para o ouvido interno.

Como Funciona

  1. Acesso: O cirurgião acessa o ouvido através de uma pequena incisão no canal auditivo
  2. Remoção: Remove parcial ou totalmente o estribo fixado
  3. Implante: Coloca um implante (piston) que funciona como estribo artificial
  4. Resultado: A transmissão de som é restaurada

A cirurgia é realizada com microscópio cirúrgico de alta resolução e leva de 45 minutos a 1 hora.

Eficácia da Estapedectomia

Os números são impressionantes:

  • Taxa de sucesso auditivo em mãos experientes: 95% (maioria recupera audição normal ou quase normal)
  • Melhora média: 25-35 dB em teste auditivo
  • Resultados permanentes: O piston não se desgasta; dura a vida toda

Esses números a tornam uma das cirurgias com melhor relação custo-benefício em otologia.

Piston vs Revisão: O que Muda

Alguns cirurgiões optam por estapedotomia (remoção apenas da base do estribo) em vez de estapedectomia (remoção total). Isso será detalhado em artigo específico, mas por enquanto saiba que:

  • Ambas as técnicas têm resultados excelentes
  • A escolha depende da anatomia e preferência do cirurgião
  • Ambas oferecem restauração definitiva da audição

Quando a Cirurgia da otosclerose é Indicada?

Nem todo paciente com otosclerose precisa de cirurgia imediata. A indicação depende de:

Indicações para Cirurgia

  1. Perda auditiva significativa (> 25 dB em testes)
  2. Impacto na qualidade de vida (dificuldade profissional, social)
  3. Confirmação diagnóstica (audiometria + tomografia)
  4. Desejo do paciente (motivação para cirurgia)
  5. Boa saúde geral (sem contraindicações)
  6. Paciente não deseja usar aparelhos auditivos

Quando Não Operar Ainda

  • Perda auditiva mínima e sem impacto na vida
  • Paciente relutante ou indeciso
  • Comorbidades que aumentam risco cirúrgico
  • Deficiência auditiva compensada com aparelho auditivo

O Papel dos Aparelhos Auditivos na Otosclerose

Um ponto importante: aparelhos auditivos podem ajudar alguns pacientes com otosclerose, mas com limitações:

Quando Aparelho Auditivo Ajuda

  • Perdas auditivas iniciais (< 30 dB)
  • Pacientes que preferem evitar cirurgia
  • Casos onde paciente não é candidato a cirurgia
  • Como solução temporária enquanto se decide sobre cirurgia

Limitações do Aparelho Auditivo

  • À medida que a doença progride, aparelhos cada vez mais poderosos são necessários
  • Alguns pacientes acabam com aparelhos muito altos, próximo ao limite funcional
  • Não resolve o problema de base (a fixação do estribo)
  • A progressão pode eventualmente tornar o aparelho ineficaz

Por isso a estapedectomia é geralmente a solução definitiva para pacientes com otosclerose do tipo fenestral (do estribo) significativa.

Otosclerose Progride o Tempo Todo?

Uma dúvida comum: “Se eu não operar agora, a doença vai piorar?”

A resposta é: geralmente sim, mas nem sempre no mesmo ritmo.

Variações na Progressão

  • Alguns pacientes: progressão rápida (piora notável em meses)
  • Outros pacientes: progressão lenta (piora gradual ao longo de anos)
  • Raros casos: estabilização (sem piora por longos períodos)

A progressão é imprevisível individualmente, por isso:

  • Se a audição começou a piorar notavelmente, é sinal de alerta
  • Acompanhamento auditivo regular é recomendado
  • Você não pode “contar com a sorte” de que vai estabilizar

A Gravidez Acelera a Otosclerose?

Em algumas mulheres, sim! Estudos mostram que aproximadamente 50-60% das mulheres com otosclerose têm aceleração da doença durante a gravidez.

Isso é importante se você:

  • É mulher em idade fértil
  • Tem otosclerose diagnosticada
  • Planeja engravidar

Discussão com seu otorrino sobre timing de cirurgia é essencial.

Perguntas Frequentes

Otosclerose pode virar surdez total?

Sim, raramente a progressão pode levar à surdez completa em ambos os ouvidos. Por isso o acompanhamento regular é importante.

Se eu colocar um piston, ele pode sair do lugar?

Pode, mas em cirurgias feitas com a técnica correta, é muito raro (< 0,5% dos casos). 

Posso operar os dois ouvidos ao mesmo tempo?

Não é recomendado. Nos casos de doença bilateral, fazemos as cirurgias de forma sequencial com intervalo mínimo de 6 meses, para minimizar risco e avaliar o resultado do primeiro.

Qual é a idade ideal para operar?

Não há idade “ideal”, mas considerações especiais:

  • Crianças: raro ter indicação; maioria dos casos detecta na adolescência/adultos
  • Mulheres em idade fértil: discussão sobre timing (antes ou depois de filhos)
  • Idosos: cirurgia é segura se em boa saúde geral

A otosclerose volta após a cirurgia?

Não, a doença não “volta”, afinal ela não foi embora com a cirurgia. Raramente, o crescimento ósseo pode ocorrer ao redor do piston (< 1%), necessitando revisão. Entretanto, alguns pacientes podem desenvolver a forma coclear da doença, o que traz perda auditiva do tipo neurossensorial, que deve ser tratada com aparelhos auditivos ou implantes cocleares.

Quanto tempo demora a recuperação?

Retorno às atividades normais: 1-2 semanas. Estabilização total da audição: 4-6 semanas. Restrições (não molhar ouvido) continuam por 1 semana.

Terei zumbido após a cirurgia?

Possível mas raro. A maioria dos pacientes tem alívio do seu zumbido após a cirurgia (porque ouve melhor). Outros desenvolvem zumbido (< 5% dos casos). Outros não têm mudança significativa.

Cirurgia de otosclerose é coberta pelo SUS?

Sim! O SUS cobre estapedectomia para pacientes com indicação comprovada. Há fila de espera, mas a cobertura é 100%.

Conclusão: Da Perda Auditiva à Recuperação

Otosclerose não tem cura medicamentosa porque a biologia dessa doença ainda não foi completamente compreendida para permitir uma intervenção medicamentosa eficaz. Mas isso não significa que você está condenado a perder audição progressivamente.

A estapedectomia é, na verdade, mais que um “tratamento” – é uma restauração verdadeira da audição, com taxa de sucesso que muitos procedimentos médicos gostariam de ter. É uma das poucas situações em otologia onde podemos oferecer resultado praticamente definitivo.

Se você foi diagnosticado com otosclerose:

  1. Não entre em pânico – tem solução muito eficaz disponível
  2. Não ignore a doença – a progressão é possível e acompanhamento é importante
  3. Procure especialista em otologia – diagnóstico e indicação cirúrgica devem ser precisos
  4. Considere a cirurgia – se a audição está sendo afetada, a estapedectomia é muito provavelmente a melhor opção
  5. Não atrase por medo – quanto melhor sua audição residual, melhor será o resultado

Na minha prática, a grande maioria dos pacientes que fizeram estapedectomia relatam que foi uma das melhores decisões que tomaram. A transformação que presenciamos – de pessoas frustrantes com perda auditiva progredindo para pessoas com audição normal ou quase normal – é absolutamente gratificante.

Otosclerose é uma doença séria, mas é uma doença completamente tratável. Você não está sozinho nessa jornada e existe caminho claro para recuperação.

Sobre o Autor

Dr. Luciano Moreira – CRM-RJ 52.65192-3 Médico Otorrinolaringologista especializado em Otologia e Estapedectomia. Coordenador da Equipe SONORA, referência em cirurgias de otosclerose e estapedectomia no Rio de Janeiro. Mais de 15 anos de experiência e centenas de cirurgias realizadas.

Artigo revisado e atualizado em fevereiro de 2026. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica.

 

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