Medicamentos ototóxicos que causam zumbido e perda auditiva

Medicamentos ototóxicos que causam surdez e zumbido no ouvido - Dr. Luciano Moreira
Neste artigo você vai aprender:

A maior parte dos remédios não faz mal à audição. Um grupo específico de medicamentos ototóxicos causa surdez e zumbido no ouvido, e vale saber quais são.

Digite o nome do seu medicamento na busca abaixo. Você vê se ele tem risco para o ouvido, o tamanho desse risco e quão firme é a evidência por trás dessa informação. A busca funciona pelo nome genérico e pelo nome comercial.

Quais medicamentos ototóxicos causam surdez e zumbido no ouvido

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Meu remédio pode afetar minha audição?

Busque um medicamento (nome genérico ou comercial) e veja o risco de perda auditiva ou zumbido, a reversibilidade e a força da evidência. Toque em cada remédio para abrir os detalhes.

54com risco/associação
147de baixo risco
17evidência consolidada

Ou navegue por nível de risco:
Principais
Crítico
Alto
Moderado
Baixo
Associação
Como ler os dois selos:

Gravidade (cor da borda): ●●●● Crítico · ●●● Alto · ●● Moderado · ● Baixo · ○ Associação. É o tamanho do dano possível.
Evidência (selo cinza): Consolidada · Moderada · Limitada · Relato isolado. É quão certos estamos de que o remédio é a causa.
Amicacina AmikacinAntibiótico (Aminoglicosídeo)

●●●● Crítico
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Risco genético MT-RNR1. Predominantemente cocleotóxico.
Mecanismo: Destruição preferencial de células ciliadas da cóclea.
Potencializam: Furosemida, Vancomicina, Cisplatina
Nomes comerciais:

Brasil: Amicacina, Amikin, NovaminEUA: Amikin, ArikayceFrança: AmiklinAlemanha: Amikin, BiklinEspanha: AmikacinaItália: Amikacina, Likacin
Canamicina KanamycinAntibiótico (Aminoglicosídeo)

●●●● Crítico
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Usado em TB resistente. Alta cocleotoxicidade.
Mecanismo: Destruição de células ciliadas cocleares por mecanismo de aminoglicosídeos.
Potencializam: Furosemida, Outros aminoglicosídeos
Nomes comerciais:

Brasil: Canamicina, KantrexEUA: KantrexFrança: KanamycineAlemanha: KanamycinEspanha: KanamicinaItália: Kanamicina
Cisplatina CisplatinAntineoplásico (Platina)

●●●● Crítico
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear (Alta Freq.)
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Risco máximo em crianças. Monitorar audiometria antes, durante e após tratamento.
Mecanismo: Gera espécies reativas de oxigênio (ROS) que destroem células ciliadas externas, começando pela base da cóclea (frequências altas).
Potencializam: Aminoglicosídeos, Furosemida, Radioterapia craniana
Nomes comerciais:

Brasil: Cisplatina, Platistine, Tecnoplatin, FauldcisplaEUA: Platinol, Platinol-AQFrança: Cisplatine, CisplatylAlemanha: Cisplatin, PlatinexEspanha: Cisplatino, NeoplatinItália: Cisplatino, Platamine
Estreptomicina StreptomycinAntibiótico (Aminoglicosídeo)

●●●● Crítico
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Vestibular
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Tratamento de tuberculose. Predominantemente vestibulotóxico.
Mecanismo: Dano preferencial ao sistema vestibular – vertigem e desequilíbrio permanentes.
Potencializam: Outros aminoglicosídeos, Furosemida
Nomes comerciais:

Brasil: EstreptomicinaEUA: StreptomycinFrança: StreptomycineAlemanha: StreptomycinEspanha: EstreptomicinaItália: Streptomicina
Gentamicina GentamicinAntibiótico (Aminoglicosídeo)

●●●● Crítico
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Vestibular > Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Mutação MT-RNR1: risco de surdez profunda com dose única. Teste genético recomendado.
Mecanismo: Acúmulo na perilinfa e endolinfa, destruição de células ciliadas por apoptose. Mais vestibulotóxica.
Potencializam: Furosemida, Vancomicina, Cisplatina
Nomes comerciais:

Brasil: Gentamicina, Garamicina, Gentamax, GentamicolEUA: Garamycin, Gentak, GenopticFrança: Gentamicine, GentallineAlemanha: Gentamicin, RefobacinEspanha: Gentamicina, GevramycinItália: Gentamicina, Gentalyn
Neomicina NeomycinAntibiótico (Aminoglicosídeo)

●●●● Crítico
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: TÓXICO MESMO TÓPICO se membrana timpânica perfurada. Contraindicado em ouvido médio.
Mecanismo: Altíssima toxicidade coclear – evitar uso sistêmico e em ouvido médio.
Potencializam: Qualquer uso sistêmico
Nomes comerciais:

Brasil: Neomicina, Nebacetin, NeosporinEUA: Neosporin, Neo-FradinFrança: NéomycineAlemanha: NeomycinEspanha: NeomicinaItália: Neomicina
Teprotumumab TeprotumumabBiológico (Anti-IGF-1R)

●●●● Crítico
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear/Zumbido
Reversibilidade: Mista/Potencialmente irreversível
Nota clínica: MONITORAR AUDIOMETRIA antes, durante e após. Alta incidência de ototoxicidade.
Mecanismo: Inibição do receptor IGF-1R afeta células da cóclea. Mecanismo em estudo.
Nomes comerciais:

Brasil: Teprotumumab, TepezzaEUA: TepezzaFrança: TepezzaAlemanha: TepezzaEspanha: TepezzaItália: Tepezza
Tobramicina TobramycinAntibiótico (Aminoglicosídeo)

●●●● Crítico
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear/Vestibular
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Mesmas mutações MT-RNR1 da gentamicina. Cuidado em fibrose cística.
Mecanismo: Mesmo mecanismo dos aminoglicosídeos – toxicidade mitocondrial.
Potencializam: Furosemida, Vancomicina
Nomes comerciais:

Brasil: Tobramicina, Tobrex, Tobra, TobiEUA: Tobrex, Nebcin, Bethkis, TOBIFrança: Tobrex, NebcineAlemanha: Tobrex, GernebcinEspanha: Tobrex, TobradexItália: Tobrex
Ácido Etacrínico Ethacrynic AcidDiurético de Alça

●●● Alto
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Reversível (mas maior risco de permanência)
Nota clínica: Historicamente MAIS TÓXICO que furosemida. Evitar se possível.
Mecanismo: Mais tóxico para estria vascular que outros diuréticos de alça.
Potencializam: Aminoglicosídeos
Nomes comerciais:

Brasil: Ácido Etacrínico, EdecrinEUA: EdecrinFrança: EdécrineAlemanha: HydromedinEspanha: EdecrinItália: Reomax
Anfotericina B Amphotericin BAntifúngico (Polieno)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Antifúngico sistêmico. Ototoxicidade documentada em tratamentos prolongados.
Mecanismo: Liga-se a ergosterol, mas também afeta células mamíferas incluindo as ciliadas.
Potencializam: Aminoglicosídeos, Ciclosporina
Nomes comerciais:

Brasil: Anfotericina B, Fungizone, AmBisomeEUA: Fungizone, AmBisome, AbelcetFrança: Fungizone, AmBisomeAlemanha: Amphotericin B, AmBisomeEspanha: Anfotericina BItália: Anfotericina B, AmBisome
Bleomicina BleomycinAntineoplásico (Antibiótico)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Usado em protocolos de linfoma e tumores germinativos.
Mecanismo: Induz quebras no DNA e estresse oxidativo nas células ciliadas.
Potencializam: Cisplatina
Nomes comerciais:

Brasil: Bleomicina, BlenoxaneEUA: BlenoxaneFrança: BléomycineAlemanha: BleomycinEspanha: BleomicinaItália: Bleomicina
Bumetanida BumetanideDiurético de Alça

●●● Alto
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Perfil de ototoxicidade similar à furosemida.
Mecanismo: Mesmo mecanismo da furosemida – inibição do co-transportador Na-K-2Cl na estria vascular.
Potencializam: Aminoglicosídeos, Cisplatina
Nomes comerciais:

Brasil: Bumetanida, BurinaxEUA: BumexFrança: BurinexAlemanha: BurinexEspanha: FordiuranItália: Burinex
Capreomicina CapreomycinAntibiótico (Peptídico)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear/Vestibular
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Usado em TB resistente. Ototoxicidade significativa.
Mecanismo: Similar aos aminoglicosídeos – dano às células ciliadas.
Potencializam: Aminoglicosídeos, Furosemida
Nomes comerciais:

Brasil: Capreomicina, CapastatEUA: CapastatFrança: CapréomycineAlemanha: CapreomycinEspanha: CapreomicinaItália: Capreomicina
Carboplatina CarboplatinAntineoplásico (Platina)

●●● Alto
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Dose-dependente. Menos ototóxico que cisplatina, mas ainda significativo.
Mecanismo: Mecanismo similar à cisplatina, porém com menor penetração coclear.
Potencializam: Aminoglicosídeos, Radioterapia
Nomes comerciais:

Brasil: Carboplatina, Paraplatin, TecnocarbEUA: ParaplatinFrança: Carboplatine, ParaplatineAlemanha: CarboplatinEspanha: CarboplatinoItália: Carboplatino
Docetaxel DocetaxelAntineoplásico (Taxano)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Parcialmente irreversível
Nota clínica: Perfil similar ao paclitaxel.
Mecanismo: Mesmo mecanismo do paclitaxel.
Potencializam: Platinas
Nomes comerciais:

Brasil: Docetaxel, TaxotereEUA: Taxotere, DocefrezFrança: TaxotèreAlemanha: TaxotereEspanha: TaxotereItália: Taxotere
Furosemida FurosemideDiurético de Alça

●●● Alto
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Geralmente reversível (permanente se IV rápido ou IR)
Nota clínica: Risco alto com infusão IV rápida (>25mg/min). Pode ser PERMANENTE se IR ou IV rápido.
Mecanismo: Altera potencial endococlear na estria vascular, afetando a homeostase iônica da endolinfa.
Potencializam: Aminoglicosídeos, Cisplatina, Vancomicina
Nomes comerciais:

Brasil: Furosemida, Lasix, Neosemid, FurosenEUA: Lasix, FuroscixFrança: Lasilix, FurosémideAlemanha: Lasix, Furosemid, FuroreseEspanha: Seguril, FurosemidaItália: Lasix, Furosemide
Mostarda Nitrogenada Nitrogen MustardAntineoplásico (Alquilante)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Uso histórico, pouco utilizado atualmente. Mecloretamina.
Mecanismo: Alquilação do DNA com dano celular permanente.
Potencializam: Outros alquilantes
Nomes comerciais:

Brasil: Mecloretamina, MustargenEUA: MustargenFrança: CaryolysineAlemanha: MustargenEspanha: MecloretaminaItália: Mecloretamina
Netilmicina NetilmicinAntibiótico (Aminoglicosídeo)

●●● Alto
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Coclear/Vestibular
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Menor toxicidade relativa entre aminoglicosídeos, mas ainda significativa.
Mecanismo: Mesmo mecanismo, porém com melhor perfil de segurança que outros aminoglicosídeos.
Potencializam: Furosemida
Nomes comerciais:

Brasil: Netilmicina, NetromicinaEUA: NetromycinFrança: NétilmicineAlemanha: NetilmicinEspanha: NetilmicinaItália: Netilmicina
Oxaliplatina OxaliplatinAntineoplásico (Platina)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Neuro/Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Menor ototoxicidade que cisplatina. Neurotoxicidade periférica mais comum.
Mecanismo: Dano coclear e neural por estresse oxidativo.
Potencializam: Outros agentes neurotóxicos
Nomes comerciais:

Brasil: Oxaliplatina, EloxatinEUA: EloxatinFrança: Eloxatine, OxaliplatineAlemanha: EloxatinEspanha: EloxatinItália: Eloxatin
Paclitaxel PaclitaxelAntineoplásico (Taxano)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Parcialmente irreversível
Nota clínica: Ototoxicidade documentada, especialmente em combinação com platinas.
Mecanismo: Estabiliza microtúbulos anormalmente, causando disfunção celular.
Potencializam: Cisplatina, Carboplatina
Nomes comerciais:

Brasil: Paclitaxel, Taxol, AbraxaneEUA: Taxol, Abraxane, OnxolFrança: Taxol, PaxeneAlemanha: TaxolEspanha: TaxolItália: Taxol
Polimixina B Polymyxin BAntibiótico (Polipeptídeo)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear/Vestibular
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Evitar aplicação tópica em ouvido médio se perfuração. Uso sistêmico muito tóxico.
Mecanismo: Dano direto à membrana celular das células ciliadas.
Potencializam: Aminoglicosídeos
Nomes comerciais:

Brasil: Polimixina B, OtosporinEUA: Poly-Rx, NeosporinFrança: Polymyxine BAlemanha: Polymyxin BEspanha: Polimixina BItália: Polimixina B
Vinblastina VinblastineAntineoplásico (Alcaloide da Vinca)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Similar à vincristina.
Mecanismo: Disrupção de microtúbulos com efeito tóxico coclear.
Potencializam: Platinas
Nomes comerciais:

Brasil: Vinblastina, VelbanEUA: VelbanFrança: VelbéAlemanha: VinblastinEspanha: VinblastinaItália: Vinblastina
Vincristina VincristineAntineoplásico (Alcaloide da Vinca)

●●● Alto
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível
Nota clínica: Sinergia com platinas. Monitorar em protocolos combinados.
Mecanismo: Inibe função dos microtúbulos, afetando transporte axonal nas células ciliadas.
Potencializam: Cisplatina, Carboplatina
Nomes comerciais:

Brasil: Vincristina, OncovinEUA: Oncovin, VincasarFrança: OncovinAlemanha: VincristinEspanha: VincristinaItália: Vincristina
Ácido Acetilsalicílico AspirinAINE / Salicilato

●● Moderado
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Zumbido/Perda
Reversibilidade: Reversível (24-72h após suspensão)
Nota clínica: Doses altas (>2g/dia) causam zumbido e perda auditiva reversível.
Mecanismo: Altera fluxo sanguíneo coclear e afeta função das células ciliadas externas.
Nomes comerciais:

Brasil: AAS, Aspirina, Bufferin, Melhoral, SomalginEUA: Bayer Aspirin, Bufferin, EcotrinFrança: Aspirine, Aspégic, KardégicAlemanha: Aspirin, ASSEspanha: Aspirina, AAS, AdiroItália: Aspirina, Vivin C, Cardioaspirin
Cloroquina ChloroquineAntimalárico/Imunomodulador

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Parcialmente irreversível
Nota clínica: Uso crônico (>5 anos) aumenta risco. Monitorar audiometria.
Mecanismo: Acúmulo em tecidos com melanina, incluindo ouvido interno.
Potencializam: Aminoglicosídeos
Nomes comerciais:

Brasil: Cloroquina, AralenEUA: AralenFrança: NivaquineAlemanha: ResochinEspanha: ResochinItália: Clorochina
Desferroxamina DeferoxamineQuelante de Ferro

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Neuro/Coclear
Reversibilidade: Parcialmente reversível
Nota clínica: Monitorar audiometria em tratamentos prolongados. Dose-dependente.
Mecanismo: Quelação de ferro pode afetar metabolismo das células ciliadas.
Potencializam: Vitamina C em altas doses
Nomes comerciais:

Brasil: Desferroxamina, DesferalEUA: DesferalFrança: DesféralAlemanha: DesferalEspanha: DesferinItália: Desferal
Eritromicina ErythromycinAntibiótico (Macrolídeo)

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear/Zumbido
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Risco com doses IV altas (>4g/dia). Perda auditiva geralmente reversível.
Mecanismo: Efeito tóxico direto em altas concentrações séricas.
Potencializam: Outras drogas ototóxicas
Nomes comerciais:

Brasil: Eritromicina, Ilosone, Pantomicina, EritrexEUA: E-Mycin, Eryc, Erythrocin, PCEFrança: Érythromycine, Érythrocine, AbboticineAlemanha: Erythromycin, InfectomycinEspanha: Eritromicina, PantomicinaItália: Eritromicina, Eritrocina
Hidroxicloroquina HydroxychloroquineAntimalárico/Imunomodulador

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Parcialmente irreversível
Nota clínica: Menor risco que cloroquina. Monitorar em uso prolongado para AR e LES.
Mecanismo: Similar à cloroquina, porém com menor toxicidade.
Nomes comerciais:

Brasil: Hidroxicloroquina, Plaquinol, ReuquinolEUA: PlaquenilFrança: PlaquenilAlemanha: QuensylEspanha: DolquineItália: Plaquenil
Ifosfamida IfosfamideAntineoplásico (Alquilante)

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Parcialmente irreversível
Nota clínica: Ototoxicidade relatada, sobretudo em combinação com platinas. Monitorar audiometria em esquemas combinados.
Mecanismo: Estresse oxidativo coclear, potencializado quando associado a platinas.
Potencializam: Cisplatina, Carboplatina
Nomes comerciais:

Brasil: Ifosfamida, HoloxaneEUA: Ifex
Interferon (Alfa/Beta) InterferonImunomodulador

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Neuro/Coclear
Reversibilidade: Parcialmente irreversível
Nota clínica: Perda auditiva neurossensorial relatada. Mecanismo neurotóxico.
Mecanismo: Efeitos neurotóxicos diretos e possível mecanismo autoimune.
Nomes comerciais:

Brasil: Interferon alfa, Intron A, Roferon, Rebif, AvonexEUA: Intron A, Roferon-A, Rebif, Avonex, BetaseronFrança: Introna, Roféron, RebifAlemanha: Intron A, Roferon, RebifEspanha: Intron A, RebifItália: Intron A, Rebif
Mefloquina MefloquineAntimalárico

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Zumbido/Vertigem
Reversibilidade: Geralmente reversível
Nota clínica: Zumbido, vertigem e distúrbios do equilíbrio bem documentados, sobretudo na profilaxia de viajantes. Geralmente reverte após suspensão.
Mecanismo: Efeitos neuro-otológicos; disfunção vestibular e coclear temporária.
Potencializam: Quinino, Cloroquina
Nomes comerciais:

Brasil: Mefloquina, Lariam, MephaquinEUA: Lariam
Metotrexato MethotrexateAntineoplásico (Antimetabólito)

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Ototoxicidade rara. Mais comum em doses altas intratecais.
Mecanismo: Inibe síntese de folato, afetando metabolismo celular coclear.
Potencializam: AINEs (aumentam toxicidade)
Nomes comerciais:

Brasil: Metotrexato, TrexallEUA: Trexall, Rheumatrex, OtrexupFrança: Méthotrexate, NovatrexAlemanha: MethotrexatEspanha: MetotrexatoItália: Methotrexate
Nivolumabe NivolumabImunoterápico (Anti-PD-1)

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Autoimune
Reversibilidade: Reversível com corticoide
Nota clínica: Mesmo perfil do pembrolizumabe. Perda auditiva imunomediada.
Mecanismo: Ativação imune com potencial inflamação coclear autoimune.
Potencializam: Outros ICI
Nomes comerciais:

Brasil: Nivolumabe, OpdivoEUA: OpdivoFrança: OpdivoAlemanha: OpdivoEspanha: OpdivoItália: Opdivo
Paromomicina ParomomycinAntibiótico (Aminoglicosídeo)

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Irreversível (quando ocorre)
Nota clínica: Aminoglicosídeo de uso oral (baixa absorção sistêmica), o que reduz o risco. Porém compartilha o mecanismo tóxico da classe e a vulnerabilidade ao gene MT-RNR1.
Mecanismo: Mesmo mecanismo dos aminoglicosídeos; risco menor pela baixa absorção oral, mas real em uso prolongado ou absorção aumentada.
Potencializam: Outros aminoglicosídeos, Furosemida
Nomes comerciais:

Brasil: Paromomicina, HumatinEUA: Humatin
Pembrolizumabe PembrolizumabImunoterápico (Anti-PD-1)

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Autoimune
Reversibilidade: Reversível com corticoide
Nota clínica: Perda auditiva imunomediada. TRATAR COMO DOENÇA AUTOIMUNE com corticoide.
Mecanismo: Ativação imune pode causar inflamação autoimune da cóclea.
Potencializam: Outros ICI
Nomes comerciais:

Brasil: Pembrolizumabe, KeytrudaEUA: KeytrudaFrança: KeytrudaAlemanha: KeytrudaEspanha: KeytrudaItália: Keytruda
Quinidina QuinidineAntiarrítmico

●● Moderado
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Zumbido/Perda
Reversibilidade: Geralmente reversível
Nota clínica: Mesmo grupo do quinino (cinchonismo): zumbido e perda auditiva dose-dependentes, em geral reversíveis. Cautela em doses altas ou insuficiência renal.
Mecanismo: Cinchonismo: interfere no fluxo iônico coclear; efeito dose-dependente e geralmente reversível.
Potencializam: Quinino
Nomes comerciais:

Brasil: QuinidinaEUA: Quinidex, Quinaglute
Quinino QuinineAntimalárico

●● Moderado
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Zumbido/Perda
Reversibilidade: Geralmente reversível
Nota clínica: Cinchonismo: zumbido, perda auditiva, vertigem, cefaleia.
Mecanismo: Vasoconstrição coclear e efeito direto nas células ciliadas.
Potencializam: Mefloquina
Nomes comerciais:

Brasil: Quinino, QuininaEUA: QualaquinFrança: Quinine, QuinimaxAlemanha: Chinin, LimptarEspanha: QuininaItália: Chinino
Torasemida TorsemideDiurético de Alça

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Considerado ter menor ototoxicidade entre os diuréticos de alça.
Mecanismo: Mesmo mecanismo, porém menor penetração na estria vascular.
Potencializam: Aminoglicosídeos
Nomes comerciais:

Brasil: TorasemidaEUA: Demadex, SoaanzFrança: TorémifèneAlemanha: Torasemid, ToremEspanha: Dilutol, SutrilItália: Torasemide
Vancomicina VancomycinAntibiótico (Glicopeptídeo)

●● Moderado
Evidência: Moderada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Geralmente reversível
Nota clínica: Risco alto se associado a Furosemida ou Aminoglicosídeos. Monitorar níveis séricos.
Mecanismo: Ototoxicidade potenciada por diuréticos de alça e aminoglicosídeos.
Potencializam: Furosemida, Aminoglicosídeos
Nomes comerciais:

Brasil: Vancomicina, Vancocina, VancoledEUA: Vancocin, FirvanqFrança: VancomycineAlemanha: VancomycinEspanha: VancomicinaItália: Vancomicina
Azitromicina AzithromycinAntibiótico (Macrolídeo)

● Baixo
Evidência: Limitada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Risco baixo. Casos raros relatados, principalmente com uso prolongado.
Mecanismo: Mecanismo não totalmente elucidado. Ototoxicidade rara.
Nomes comerciais:

Brasil: Azitromicina, Zitromax, Astro, Azi, AzitrominEUA: Zithromax, Z-Pack, ZmaxFrança: Zithromax, AzadoseAlemanha: Zithromax, AzithromycinEspanha: Zitromax, VinzamItália: Zitromax, Ribotrex
Cetorolaco KetorolacAINE

● Baixo
Evidência: Moderada

Dano predominante: Zumbido
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Zumbido transitório.
Mecanismo: Potente inibidor de COX.
Nomes comerciais:

Brasil: Cetorolaco, Toragesic, ToradolEUA: Toradol, SprixFrança: ToradolAlemanha: KetorolacEspanha: Toradol, DroalItália: Toradol, Lixidol
Claritromicina ClarithromycinAntibiótico (Macrolídeo)

● Baixo
Evidência: Limitada

Dano predominante: Coclear
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Risco baixo, similar à azitromicina.
Mecanismo: Similar aos outros macrolídeos.
Nomes comerciais:

Brasil: Claritromicina, Klaricid, ClaritrinEUA: Biaxin, Biaxin XLFrança: Zeclar, NaxyAlemanha: KlacidEspanha: Klacid, KlaricidItália: Klacid, Macladin
Diclofenaco DiclofenacAINE

● Baixo
Evidência: Moderada

Dano predominante: Zumbido
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Zumbido ocasional.
Mecanismo: Inibição de COX.
Nomes comerciais:

Brasil: Diclofenaco, Voltaren, Cataflan, Biofenac, ArtrenEUA: Voltaren, Cataflam, Zipsor, CambiaFrança: Voltarène, FlectorAlemanha: Voltaren, DiclofenacEspanha: Voltaren, DiclofenacoItália: Voltaren, Dicloreum
Ibuprofeno IbuprofenAINE

● Baixo
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Zumbido
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Zumbido transitório em doses elevadas. Raro.
Mecanismo: Inibição de prostaglandinas cocleares.
Nomes comerciais:

Brasil: Ibuprofeno, Advil, Alivium, Motrin, IbuprilEUA: Advil, Motrin, NuprinFrança: Advil, Nurofen, BrufenAlemanha: Ibuprofen, Nurofen, DolorminEspanha: Ibuprofeno, Neobrufen, EspidifenItália: Brufen, Moment, Nurofen
Indometacina IndomethacinAINE

● Baixo
Evidência: Moderada

Dano predominante: Zumbido/Perda
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Pode causar zumbido e perda auditiva em uso prolongado.
Mecanismo: Inibição potente de COX.
Nomes comerciais:

Brasil: Indometacina, IndocidEUA: Indocin, TivorbexFrança: Indocid, Chrono-IndocidAlemanha: Indometacin, Indo-CTEspanha: Indomethacin, IndocidItália: Indometacina, Liometacen
Minociclina MinocyclineAntibiótico (Tetraciclina)

● Baixo
Evidência: Moderada

Dano predominante: Vestibular
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Tontura e vertigem são efeitos colaterais comuns, especialmente em mulheres.
Mecanismo: Afeta função vestibular, causando vertigem dose-dependente.
Nomes comerciais:

Brasil: Minociclina, MinomaxEUA: Minocin, Dynacin, SolodynFrança: Minocine, MestacineAlemanha: Minocyclin, SkidEspanha: MinocinItália: Minocin
Naproxeno NaproxenAINE

● Baixo
Evidência: Consolidada

Dano predominante: Zumbido
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Zumbido ocasional em doses elevadas.
Mecanismo: Inibição de prostaglandinas.
Nomes comerciais:

Brasil: Naproxeno, Flanax, Naprosyn, NaprofenEUA: Aleve, Naprosyn, Anaprox, NaprelanFrança: Apranax, NaprosyneAlemanha: Naproxen, DolorminEspanha: Naproxeno, AntalginItália: Naprosyn, Momendol, Synflex
Piroxicam PiroxicamAINE

● Baixo
Evidência: Moderada

Dano predominante: Zumbido
Reversibilidade: Reversível
Nota clínica: Zumbido ocasional.
Mecanismo: Inibição de prostaglandinas.
Nomes comerciais:

Brasil: Piroxicam, Feldene, InflameneEUA: FeldeneFrança: Feldène, BrexinAlemanha: Piroxicam, FeldenEspanha: Feldene, PiroxicamItália: Feldene, Brexidol
Sildenafila SildenafilInibidor de PDE5

● Baixo
Evidência: Limitada

Dano predominante: Perda Súbita
Reversibilidade: Incerto (pode ser permanente)
Nota clínica: Evento RARO. Casos de SSNHL (perda súbita) relatados ao FDA.
Mecanismo: Possível alteração do fluxo sanguíneo coclear. Mecanismo não confirmado.
Nomes comerciais:

Brasil: Sildenafila, Viagra, Pramil, Helleva, ErectalisEUA: Viagra, RevatioFrança: ViagraAlemanha: ViagraEspanha: ViagraItália: Viagra
Tadalafila TadalafilInibidor de PDE5

● Baixo
Evidência: Limitada

Dano predominante: Perda Súbita
Reversibilidade: Incerto (pode ser permanente)
Nota clínica: Evento RARO. Mesmo perfil do sildenafil.
Mecanismo: Semelhante ao sildenafil.
Nomes comerciais:

Brasil: Tadalafila, Cialis, Tadalaila, ErectalisEUA: Cialis, AdcircaFrança: CialisAlemanha: CialisEspanha: CialisItália: Cialis
Vardenafila VardenafilInibidor de PDE5

● Baixo
Evidência: Limitada

Dano predominante: Perda Súbita
Reversibilidade: Incerto (pode ser permanente)
Nota clínica: Mesma classe de sildenafila/tadalafila. Relatos raros de perda auditiva súbita; causalidade incerta. Procurar atendimento se surgir perda súbita ou zumbido intenso.
Mecanismo: Alteração vascular/iônica coclear proposta; associação com perda súbita não estabelecida como causal.
Potencializam: Sildenafila, Tadalafila
Nomes comerciais:

Brasil: Vardenafila, LevitraEUA: Levitra, Staxyn
Antidepressivos ISRS/IRSN (classe) SSRI/SNRIAntidepressivo (ISRS/IRSN)

○ Associação
Evidência: Limitada

Dano predominante: Zumbido (associação de classe)
Reversibilidade: Incerto
Nota clínica: Vale para a CLASSE. Zumbido é relatado em bula e há relatos isolados de perda auditiva; costuma ser reversível ao suspender. Causalidade individual incerta — não interromper antidepressivo por conta própria.
Mecanismo: Associação observada em estudos epidemiológicos; relação causal individual não estabelecida. Efeito, quando existe, é de classe — não de uma molécula específica.
Nomes comerciais:

Brasil: Sertralina, Escitalopram, Paroxetina, Fluoxetina, Venlafaxina, Duloxetina, Zoloft, LexaproEUA: Zoloft, Lexapro, Paxil, Effexor
Betabloqueadores (classe) Beta-blockersBetabloqueador

○ Associação
Evidência: Limitada

Dano predominante: Perda (associação de classe)
Reversibilidade: Incerto
Nota clínica: Vale para a CLASSE. Associação fraca em estudos observacionais; evidência limitada. Não suspender anti-hipertensivo por medo do ouvido.
Mecanismo: Associação observada em estudos epidemiológicos; relação causal individual não estabelecida. Efeito, quando existe, é de classe — não de uma molécula específica.
Nomes comerciais:

Brasil: Carvedilol, Atenolol, Propranolol, Metoprolol, BisoprololEUA: Coreg, Tenormin, Inderal, Lopressor
Inibidores da Bomba de Prótons (classe) Proton Pump InhibitorsInibidor de Bomba de Prótons

○ Associação
Evidência: Limitada

Dano predominante: Perda (associação de classe)
Reversibilidade: Incerto
Nota clínica: Vale para a CLASSE (omeprazol, pantoprazol, esomeprazol, lansoprazol). Estudos observacionais associam uso prolongado a perda auditiva; causalidade não comprovada. Não há motivo para trocar de um IBP para outro por medo do ouvido.
Mecanismo: Associação observada em estudos epidemiológicos; relação causal individual não estabelecida. Efeito, quando existe, é de classe — não de uma molécula específica.
Nomes comerciais:

Brasil: Omeprazol, Pantoprazol, Esomeprazol, Lansoprazol, Rabeprazol, Losec, Pariet, NexiumEUA: Prilosec, Nexium, Protonix

Nenhum medicamento encontrado com esse nome. Isso não significa que ele é seguro — significa que ainda não está na nossa base. Na dúvida, fale com seu médico.

Medicamentos de uso comum e baixo risco auditivo

Remédios de uso frequente sem sinal relevante de ototoxicidade na literatura. Presença aqui tranquiliza, mas não substitui avaliação individual.

AmoxicilinaPenicilinaCefalexinaCeftriaxonaCefuroximaCiprofloxacinoLevofloxacinoMetronidazolSulfametoxazol + TrimetoprimaDoxiciclinaClindamicinaLosartanaEnalaprilCaptoprilLisinoprilAnlodipinoHidroclorotiazidaValsartanaRamiprilMetforminaGlibenclamidaGlimepiridaSitagliptinaEmpagliflozinaDapagliflozinaLiraglutidaInsulinaSinvastatinaAtorvastatinaRosuvastatinaPravastatinaEzetimibaVarfarinaRivaroxabanaApixabanaAAS baixa doseClopidogrelBupropionaMirtazapinaTrazodonaAlprazolamClonazepamDiazepamLorazepamZolpidemCarbamazepinaValproatoLamotriginaLevetiracetamTopiramatoGabapentinaPregabalinaFenitoínaPrednisonaPrednisolonaDexametasonaHidrocortisonaMetilprednisolonaBetametasonaLoratadinaCetirizinaFexofenadinaDesloratadinaDifenidraminaHidroxizinaRanitidinaFamotidinaDomperidonaMetoclopramidaOndansetronaLoperamidaSimeticonaSalbutamolFormoterolSalmeterolBudesonidaFluticasonaMontelucasteBrometo de IpratrópioBrometo de TiotrópioAcetilcisteínaAmbroxolParacetamolDipironaTramadolCodeínaMorfinaCiclobenzaprinaCarisoprodolBaclofenoEnoxaparinaHeparinaDabigatranaEdoxabanaTicagrelorPrasugrelLevotiroxinaPropiltiouracilMetimazolEstrogênioProgesteronaTestosteronaVitamina DVitamina B12Ácido FólicoFerroCálciteMagnésioZincoÔmega 3Timolol colírioLatanoprostaBrimonidinaIsotretinoínaFinasteridaMinoxidilAzatioprinaMicofenolatoCiclosporinaTacrolimoAciclovirValaciclovirOseltamivirFluconazolItraconazolTerbinafinaIvermectinaAlbendazolMebendazolNitazoxanidaSecnidazolTansulosinaDoxazosinaDutasteridaOxibutininaSolifenacinaAlopurinolColchicinaFebuxostatMelatoninaModafinilaNaltrexonaDissulfiramVareniclinaBuprenorfinaLidocaínaCetamina
Aviso. Ferramenta educacional, não substitui a avaliação de um médico. As classificações resumem a literatura científica e podem mudar. Nunca interrompa um medicamento por conta própria.


Como um remédio chega a machucar o ouvido

O ouvido interno é protegido por uma barreira natural e funciona com muita energia. Alguns remédios atravessam essa barreira e se acumulam na cóclea, a parte do ouvido que transforma som em sinal para o cérebro. Quando isso causa dano, o dano acontece de dois jeitos diferentes.

Um deles é permanente. Remédios como a cisplatina e a gentamicina geram um excesso de radicais livres dentro da cóclea. As células que captam o som, chamadas células ciliadas, morrem. O corpo humano não fabrica células novas no lugar dessas, então a perda que vem daí não volta.

O outro é passageiro. A aspirina em dose alta e alguns diuréticos apenas desligam a cóclea por um tempo, sem matar célula. Quando o remédio sai do corpo, a audição costuma voltar.


Por que a mesma dose ensurdece um e poupa outro

Você talvez já tenha visto isso acontecer. Uma pessoa toma antibiótico a vida inteira sem problema nenhum, e outra perde a audição com uma única dose. Boa parte da explicação está nos genes.

Existe uma variante genética, chamada m.1555A>G, no gene MT-RNR1, que deixa a pessoa muito mais vulnerável aos antibióticos do grupo dos aminoglicosídeos, como a gentamicina e a neomicina. Nessas pessoas, uma estrutura dentro da célula do ouvido se parece demais com uma bactéria. O antibiótico, feito para atacar a bactéria, acaba atacando por engano o próprio ouvido, e a surdez pode ser grave.

Se já houve caso de surdez causada por remédio na sua família, vale conversar com o médico sobre um teste genético antes de usar esse tipo de antibiótico.


O risco maior costuma estar na combinação

Muitas vezes o perigo não está em um remédio sozinho, e sim na mistura de dois. A combinação mais conhecida junta um antibiótico aminoglicosídeo com um diurético do tipo furosemida. O diurético abre a barreira que protege o ouvido, e o antibiótico entra em quantidade muito maior do que entraria sozinho. Sempre que possível, essa dupla é evitada.

Atenção com gotas de ouvido. Gotas que contêm neomicina ou gentamicina não devem ser usadas quando o tímpano está furado. Com o tímpano aberto, o remédio entra direto no ouvido interno, em concentração muito alta.


Como se proteger da ototoxicidade

Quando um desses remédios é necessário para tratar algo grave, como um câncer ou uma infecção séria, a resposta não é recusar o tratamento. É acompanhar a audição de perto.

O primeiro sinal de dano quase sempre aparece nos sons mais agudos, bem antes de a pessoa sentir dificuldade para entender a fala. A audiometria comum vai só até 8.000 Hz e costuma não detectar esse começo. O exame certo aqui é a audiometria de altas frequências, que testa até 16.000 ou 20.000 Hz.

Feito antes e durante o tratamento, esse exame mostra o dano enquanto ele ainda é silencioso. Isso dá ao médico a chance de ajustar a dose ou trocar o remédio antes que a audição da conversa seja afetada.

O zumbido também merece atenção. Muitas vezes ele é o primeiro aviso de que o ouvido está sofrendo. Se surgir um zumbido novo durante um tratamento, conte ao seu médico.


O que fazer

  • Use a busca no topo da página para checar cada remédio que você toma.
  • Se for começar um tratamento de alto risco, como cisplatina ou aminoglicosídeos, peça ao seu médico uma audiometria de altas frequências antes e durante o tratamento.
  • Fique atento a zumbido novo, sensação de ouvido cheio ou queda na audição. Se aparecerem, procure avaliação.

Se você toma um remédio de risco e quer avaliar sua audição com quem entende do assunto, a equipe da Clínica Sonora pode ajudar.

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Referências citadas

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  78. An Ototoxicity Grading System Within a Mobile App (OtoCalc) for a Resource-Limited Setting to Guide Grading and Management of Drug-Induced Hearing Loss in Patients With Drug-Resistant Tuberculosis: Prospective, Cross-Sectional Case Series – PubMed, acessado em janeiro 17, 2026, https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31934875/
  79. Clinical Trials, Ototoxicity Grading Scales,and the Audiologist’s Role in Therapeutic Decision Making – PMC – PubMed Central, acessado em janeiro 17, 2026, https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6260812/
  80. Brock ototoxicity grading scale | Download Table – ResearchGate, acessado em janeiro 17, 2026, https://www.researchgate.net/figure/Brock-ototoxicity-grading-scale_tbl2_51186232
  81. Ototoxic Drugs – The ENTCC, acessado em janeiro 17, 2026, https://theentcc.com/ototoxic-drugs/
Foto de Dr. Luciano Moreira
Dr. Luciano Moreira

CRM RJ 651923 • RQE Nº: 9780 • Especialista em Otologia

Médico otorrinolaringologista especializado em cirurgias da audição. Referência no Brasil em otosclerose e implante coclear. Atende no Rio de Janeiro e São Paulo.

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Dr. Luciano Moreira

CRM: 5265192-3

Médico otorrinolaringologista especializado em otologia e cirurgias da audição. Formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, é membro da Academia Brasileira e Americana de Otorrinolaringologia.

Líder da Clínica Sonora, referência no tratamento de surdez, otosclerose e implante coclear. Atende pacientes de todo o Brasil e do exterior por telemedicina e presencialmente no Rio de Janeiro

Academia Brasileira de ORL

Academia Americana de ORL

Especialista em Otologia

Cirurgião de Implante Coclear

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