Minha jornada entre o som e o silêncio – Sinal/Ruído Edição 4

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Neste artigo você vai aprender:

Newsletter sobre audição, tecnologia e pensamento crítico — Edição especial • Junho / 2026

ADVERTÊNCIA

Neste mês de junho, decidi escrever uma edição diferente. Quando alguém se senta no meu consultório como paciente, ansioso por compartilhar suas dores, na esperança de cura ou de algum alívio, deve saber que do outro lado da mesa também bate um coração. A relação médico-paciente é sempre um encontro entre duas histórias. E hoje, aqui, quero falar um pouco da minha.

Nem só de ciência vivem a medicina e a reabilitação auditiva. Como a maioria de vocês, leitores desta newsletter, sabe muito bem, o universo da surdez não é habitado apenas por aparelhos, implantes, audiometrias, terapias, tomografias e cirurgias. Todas essas técnicas e tecnologias são apenas ferramentas. São os meios de que os verdadeiros habitantes desse ecossistema precisam para se comunicar melhor. E esse ecossistema é feito de pessoas, com suas particularidades, objetivos, dificuldades e emoções. É, portanto, um mundo composto de histórias.

Essas histórias são a base de tudo. Boa parte do meu dia, e da maior parte de cada consulta, é ouvir e compreender histórias. Sem essa compreensão, nenhuma técnica funciona. Para fazer alguém ouvir melhor, eu preciso, antes, ouvi-lo com muita atenção.

Mas uma consulta médica, claro, não é uma conversa entre amigos. O consultório não é o lugar para isso. Apenas raramente, com pacientes mais antigos ou próximos, a conversa adentra o terreno da amizade e surge a oportunidade de compartilhar algum detalhe da minha intimidade. Não me ressinto disso, pelo contrário. Sempre incorporei a filosofia de que a medicina existe para o paciente. É ele o motivo único, soberano e final de toda conduta, todo exame solicitado, toda cirurgia realizada, todo tratamento indicado. Ou pelo menos deveria ser.

Antes preciso dizer de onde nasceu esse ímpeto autobiográfico. Há poucos dias, Paula e eu gravamos uma entrevista para um grande veículo de comunicação. Apesar de já ter dado muitas outras entrevistas sobre surdez, desta vez, a repórter quis também conhecer as nossas histórias. Isso me fez pensar que eu devo a vocês também, pacientes, leitores e seguidores, um pouco dessa história. Portanto, perdoe se sua expectativa para esta edição era por novidades do mundo da surdez. Adianto que não haverá nenhuma. Assim, você pode seguir apenas se te interessar conhecer um pouco mais da minha jornada entre o som e o silêncio.

AS RAÍZES

Nasci em janeiro de 1972, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Meu pai, médico psiquiatra e mãe psicopedagoga, e ambos professores universitários na Universidade Federal. Da minha infância e adolescência, muito pouco interessa a esse texto, salvo por aquilo que influenciou meu destino profissional ligado à esfera sonora. Preciso então, falar de música. Quem conhece e gosta da música popular, e já tem "uma certa idade", haverá de lembrar o que foram aqueles anos 70.

Era uma época de ouro no cenário musical no Brasil e no mundo. Foi através da minha mãe e do meu irmão mais velho que eu recebi minhas primeiras, e mais importantes influências musicais, e talvez também a semente escondida do que viria a se transformar no meu interesse pelo som e pela audição.

MEDICINA, POR QUÊ?

Apesar do pai médico, não cresci sendo estimulado a seguir seu caminho, nem pensando que "queria ser médico quando crescer". Para ser exato, cheguei ao fim do segundo grau sem ter a mínima ideia do que queria fazer. Às vésperas da inscrição no vestibular, sem definir em que curso eu "marcava o X", lembro que meu pai dizer, "filho, se você não sabe mesmo, faz medicina. Se depois quiser, muda". E eu disse, "tá bem".

Fui aprovado de primeira, e cursei os seis anos da medicina na UFJF, sem precisar sair da minha cidade, nem da casa dos meus pais. Não fui um acadêmico empolgado, embora fosse um bom aluno.

Um dos momentos mais marcantes da minha faculdade foi ter aulas com meu pai, Alonso. Na época ele era professor da disciplina Relação Médico-Paciente. Ele também é autor de um livro sobre o assunto, que se tornou referência e foi adotado por várias faculdades pelo Brasil afora. Me lembro com especial emoção e clareza da aula onde ele tratou da "farmacologia do amor", numa abordagem que usava a analogia para mostrar que o amor (ou o cuidado médico) tem suas indicações, dosagens, efeitos colaterais etc.

Já perto do fim do curso, era hora de mais uma escolha. Qual especialidade seguir? Era preciso me inscrever nas provas de residência médica. E foi numa conversa com um amigo da época, o Serginho, que mais uma encruzilhada ficou para trás. Tínhamos então um grupo de amigos que viajava e andava sempre juntos, reunidos em rodas musicais, embalados por muitos instrumentos e muita cantoria. "Oh Lu, você gosta de música, de violão, de cantar… Por que não faz otorrino? Vai mexer com som, com voz, com audição!" Pronto, me pegou. Nesse dia, o Serginho não só me mostrou o caminho da especialidade, mas acabou me indicando até a subespecialidade para a qual eu dedicaria quase toda minha vida profissional: o ouvido e a audição.

OTORRINO

E foi assim, seguindo o caminho do som, que parti para mais um concurso. Aprovado para a residência em otorrinolaringologia na UERJ, vim para o Rio de Janeiro no fim de 1997, para nunca mais sair. Durante os 3 anos de especialização, passei pelos meus primeiros atendimentos de pacientes com queixas auditivas, pelo aprofundamento do estudo da anatomia do ouvido, dissecções em laboratórios, o treinamento em timpanoplastias, minhas primeiras estapedectomias, e aprendi a usar o microscópio cirúrgico. Entretanto, a otorrinolaringologia é uma especialidade muito vasta, e a grande maioria dos casos atendidos na residência são de problemas nasais e de garganta. Assim, a formação na parte das doenças do ouvido acaba sendo insuficiente. Além disso, naquela época não tínhamos muito a oferecer aos pacientes com perdas auditivas mais severas. Aqueles que nos procuravam com surdez neurossensorial profunda estavam condenados a viver o resto da vida sem sons.

LA FRANCE

Durante minha residência eu frequentei congressos no Brasil e no exterior, e acompanhava as pesquisas através das revistas científicas. A internet ainda era muito lenta e pouco disponível, mas era notório que o ouvido biônico (implante coclear) vinha transformando muitas vidas, de forma crescente, nos EUA e na Europa. Eu sabia que, estando no Brasil, seria muito difícil aprender a lidar com essa tecnologia. Foi quando um professor da residência me falou da possibilidade de concorrer a uma bolsa de estudos num dos maiores centros de cirurgia de ouvido da Europa, mais precisamente em Bordeaux, na França.

Assim veio o terceiro concurso, e a terceira aprovação. Desta vez, também contei com a sorte. O Institut Georges Portmann oferecia uma vaga por ano para uma bolsa de estudos para médicos otorrinolaringologistas brasileiros. Acontece que durante a faculdade de medicina eu decidi estudar francês em aulas particulares durante 3 anos, e depois fazer as provas oficiais do governo francês para certificação do domínio do idioma. Para muitos colegas meus da época isso parecia uma escolha um tanto "exótica", já que quase toda a literatura médica era em inglês. Entretanto, esse acabou sendo o detalhe que me fez ser selecionado para uma bolsa de estudos em cirurgias da audição, abrindo o caminho não só para um treinamento intensivo num centro que realizava então dezenas de cirurgias de ouvido a cada semana, mas também para o meu primeiro contato real com o implante coclear.

Bordeaux, França — assistindo ao meu primeiro implante coclear (sou o do canto esquerdo).
Bordeaux, França — assistindo ao meu primeiro implante coclear (sou o do canto esquerdo).

DIPLOMA DE ETERNO ESTUDANTE

Em 2001, voltei ao Brasil, depois de dez anos dedicados à minha formação. Entretanto a medicina existe porque existem pessoas doentes, e que sofrem. Paralelamente ao treinamento constante, acontece o que realmente interessa: a batalha entre o bem-estar e o sofrimento humano. O médico vive na urgência de nunca perder o foco, que é o de aliviar a dor daqueles que o procuram e lhe confiam suas esperanças.

Uma das características mais marcantes da medicina é a vastidão de seu conteúdo e a velocidade de sua evolução, tanto no diagnóstico quanto no tratamento. Só nessa curta janela entre a minha graduação e hoje, passamos por uma série de revoluções, dentro e fora da medicina, que se entrelaçam e se potencializam de forma exponencial. A miniaturização dos processadores, as fibras óticas, o mapeamento e a manipulação genética, a internet e, mais recentemente, as redes neurais e o "tsunami supersônico" da IA. A cada nova tecnologia, a saúde é uma das primeiras áreas onde ela se aplica. E isso exige estudo constante, intensivo, que nunca termina.

Daí o diploma de eterno estudante. Mas estudar e aprender, por mais fundamental que seja, também pode virar um vício, quando o objetivo se desvia do que importa. E o que importa se dá no contato humano: no mundo real, dentro do consultório, na sala de cirurgia. O conhecimento só ganha sentido ali. Era então preciso trabalhar.

MÉDICO ESPECIALISTA

O desafio do médico em início de carreira nem sempre é bem compreendido. Dez ou doze anos de formação são o suficiente apenas para conquistar um diploma, um carimbo e um jaleco, que te dão o direito de atuar como médico. Mas a verdade é que depois de uma década ou mais, você chega finalmente ao posto de… iniciante. Por melhor que tenha sido sua formação, falta ao médico em início de carreira algo que nada substitui: a experiência. Essa só se conquista com o tempo, com os contatos sucessivos com os pacientes, num cenário diferente dos hospitais universitários, já que agora você é de fato o responsável direto por cada caso que atende, sem suporte de chefes, preceptores ou outros médicos residentes.

Existe um universo fascinante no contato direto com o paciente. De um lado, há alguém que sofre. Do outro, um profissional que decidiu encarar o desafio de se fazer de ponte entre a ilha do sofrimento e o continente da saúde desejada, do bem-estar. Na hora exata desse encontro, o conhecimento técnico e científico do médico se transforma numa ferramenta tão trivial quanto um serrote para o marceneiro ou o pincel para o pintor. Nada de especial pode sair dessas ferramentas sem que se alcance o universo interior do cliente, seus sentimentos, seus medos, e seus objetivos.

E como vocês leitores aqui sabem muito bem, não faltam sentimentos e medos quando se convive com a perda auditiva. Sendo a audição um sentido que nos conecta ao mundo de uma forma tão primitiva, tão constante e sutil, sua falta costuma atingir de forma extremamente aguda nossa mente, coração e nossa alma.

E foi com esse tipo de rotina que eu passei a conviver. Pacientes de todas as idades, com perdas auditivas de todos os tipos e graus, passavam pelo consultório. Alguns com indicação de cirurgias, muitos usando aparelhos auditivos (ou precisando usar), e outros com perdas auditivas avançadas em que as opções haviam se esgotado.

A CHEGADA DO IC NO BRASIL

Por uma série de questões que não cabem aqui, houve um atraso importante na chegada dos implantes cocleares de forma mais disseminada no Brasil. Apenas em 2008, os convênios de saúde passaram a cobrir o procedimento, quando então pude finalmente constituir minha equipe de implante coclear aqui no Rio de Janeiro. Isso me permitiu, finalmente, passar a oferecer aos pacientes que me buscavam a incrível "mágica" de sair do silêncio imposto pela surdez profunda, de voltar a ouvir, e poder se reintegrar a sua vida social e profissional de forma mais efetiva.

Ainda assim, apesar da disponibilidade do ouvido biônico no Brasil, ainda era evidente para mim que muitos pacientes ainda preferiam se manter "presos dentro do armário da surdez", assustados e acuados, vivendo uma vida entre a vergonha e a falta de coragem de dar o primeiro passo em busca de um tratamento que poderia mudar suas vidas de forma tão radical.

A CHEGADA DO AMOR

Peço licença aos leitores, mas aqui a coisa fica ainda mais pessoal. O ano era 2013. Minha atividade médica ia bem. Mas eu sentia que tanto para mim, quanto para muitos dos meus pacientes, ainda faltava alguma coisa, algo que preenchesse nossas vidas com mais coragem, ousadia e com mais amor. Eu andava meio desacreditado do amor…

E foi numa tarde qualquer, diante de uma tela de computador, que eu caí num artigo de um blog chamado Crônicas da Surdez. Cheguei nele através de um link postado num Facebook por algum amigo, que infelizmente não me lembro quem. Na imagem que ilustrava o post, uma mulher em pé, de costas, vestida com um casaco preto, seguia a caminho do mar. O título do artigo era "Sobre as grandes decisões que tomamos na vida…" O texto era curto, sincero, e absolutamente impactante.

O que eu acabara de ler era algo inédito para mim. Uma mulher jovem, com perda auditiva avançada, e que decidiu não permanecer escondida em casa. Muito pelo contrário, ela estava compartilhando com todo o mundo, de forma totalmente aberta, sua decisão mais íntima. Mesmo sem ter qualquer garantia de sucesso, ela elevou sua coragem ao cubo, não apenas para tentar melhorar sua vida através do implante coclear, mas também expondo sua "deficiência" na internet para quem quisesse ler. O nome disso era coragem. E o nome dela, Paula Pfeifer.

Rapidamente descobri que ela tinha uma legião de seguidores. Lendo os comentários nas postagens, era evidente que sua coragem já começava a contagiar e se alastrar, injetando em muitas pessoas aquilo que faltava para que elas assumissem seu destino sonoro com as próprias mãos. Subitamente, eu descobri que aquela mulher que não era médica nem fonoaudióloga, e de quem eu nunca tinha ouvido falar, estava fazendo por algumas pessoas com perda auditiva o que nenhum de nós, profissionais, conseguíamos.

Completamente tomado por uma enorme admiração (e curiosidade), eu resolvi mandar uma mensagem de agradecimento, e de elogio, por aquilo que me parecia um fenômeno.

A RESPOSTA E O RESTO

A resposta não tardou. Minha mensagem pegou Paula na sala de espera para fazer a ativação do seu primeiro implante coclear. Ou seja, por uma questão de minutos, Paula e eu nos "conhecemos" antes dela poder ouvir novamente.

O resultado deste encontro transformou nossas vidas. Nos encontramos pessoalmente um mês depois disso, em Porto Alegre, já que Paula morava em Santa Maria, RS, e eu no Rio de Janeiro. Viramos namorados desde o primeiro dia juntos (ou talvez antes), e nos casamos exatamente um ano depois.

Nosso casamento — um ano depois daquela primeira mensagem.
Nosso casamento — um ano depois daquela primeira mensagem.

Vivendo agora com uma pessoa surda e usuária de um implante coclear, a surdez deixou de ser uma entidade abstrata, ou uma condição clínica dos meus pacientes. Agora a perda auditiva não era mais apenas objeto dos meus estudos ou do meu trabalho. Ela se concretizou dentro da minha vida, noite e dia, 24 horas.

SURDOS QUE OUVEM

Aos poucos, nossa união foi se transformando numa espécie de sinergia, na soma de dois mundos que, até ali, viviam separados. De um lado, o do médico, o da técnica, o do conhecimento construído com estudo. Do outro, o de quem vive a surdez na própria pele, conhece por dentro o medo, a vergonha, o cansaço de não entender, e a alegria de voltar a ouvir. Hoje vejo que nosso encontro nos levou, juntos, a um ponto aonde nenhum de nós chegaria sozinho.

Paula acordando do segundo implante coclear, operada pela nossa equipe.
Paula acordando do segundo implante coclear, operada pela nossa equipe.

Eu já sabia antes que a medicina não é feita apenas de assistência. Ela é feita, também, de informação. Boa parte do sofrimento de quem perde a audição não vem da perda em si, mas da desinformação, do medo alimentado por mitos, da demora em buscar ajuda porque ninguém nunca explicou que havia ajuda. Informar é, muitas vezes, a forma mais poderosa de prevenir e de tratar.

E eu já vinha, desde o início dos anos 2000, construindo o Portal Otorrino, um dos primeiros sites brasileiros dedicados a explicar, em linguagem acessível, as doenças do ouvido, nariz e garganta. Entretanto, com a Paula aprendi a me comunicar muito melhor. Ela não falava "para" as pessoas, e sim "com" elas. Não entregava apenas informação, entregava poder. O poder de decidir, de buscar e de não se conformar. Aprendi com ela que levar conhecimento a quem tem perda auditiva é devolver autonomia a quem se deixou convencer de que não tinha mais saída.

Aprendi com Paula, ainda, algo mais íntimo. Aprendi a lidar com as minhas próprias dificuldades de uma maneira mais sincera. Vê-la expor a sua surdez ao mundo, sem rodeios e sem vergonha, me obrigou a encarar as minhas fragilidades com menos pudor. Existe, na honestidade, uma coragem que amadurece.

E foi dessa parceria que nasceu o nosso projeto mais importante. Em 2018, o trabalho de Paula foi reconhecido pelo Facebook Community Leadership Program. Entre candidaturas do mundo inteiro, ela foi escolhida como uma das cinco residentes globais do programa, na condição de representante da América Latina. O reconhecimento veio acompanhado de um financiamento de até um milhão de dólares para tirar do papel uma ideia que batizamos juntos: "Surdos que Ouvem". Não vou me alongar aqui sobre os bastidores. Basta dizer que aquele projeto levou informação de qualidade a milhões de pessoas no Brasil e no mundo, e transformou uma hashtag num movimento que ainda sobrevive. O "Surdos que Ouvem" virou uma forma de dizer que a surdez não precisa ser sinônimo de silêncio, nem de vergonha.

Paula e eu na plateia de uma edição do “Surdos que Ouvem” em São Paulo, ouvindo depoimentos.
Paula e eu na plateia de uma edição do “Surdos que Ouvem” em São Paulo, ouvindo depoimentos.

FECHAMENTO

Agora olho para trás e vejo que uma parte enorme da minha vida foi, de uma forma ou de outra, uma travessia entre o som e o silêncio, em mão dupla. Comecei ouvindo música na casa dos meus pais, em Juiz de Fora. Segui o som até a otorrinolaringologia, até Bordeaux, até a sala de cirurgia onde tantas vezes tenho o privilégio de devolver a alguém aquilo que parecia perdido para sempre. E, no meio do caminho, o som me trouxe Paula e o amor verdadeiro. Ainda não sei muito bem o que fazer com tudo isso, e por isso quis escrever este texto. Sei apenas que, somados, o som e o silêncio me trouxeram até aqui.

E "aqui", hoje, é um lugar que eu jamais imaginei. Uma das minhas maiores realizações não está mais apenas no centro cirúrgico ou na clínica. Está também nas redes sociais, nesta newsletter e na telemedicina, que me conectam na velocidade da luz com o mundo inteiro. Atendo hoje pessoas de todas as regiões, em cidades cujo nome eu nunca tinha ouvido falar, sedentas de informação e de acolhimento. Por trás de cada audiometria existe sempre uma história, e por trás de cada história, um coração que bate e espera ser ouvido.

Era essa a história que eu quis dividir com vocês neste mês. Não a de um médico apenas, mas a de alguém que, por sorte ou por destino, fez da audição um fio condutor da própria vida. Espero seguir nessa travessia por muitos e muitos anos, ouvindo, aprendendo e, sempre que possível, ajudando cada um de vocês a ouvir um pouco melhor. Até a próxima edição.

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Declaração de conflito de interesse. Sou médico otorrinolaringologista com atuação em otologia e cirurgia de implante coclear: indico e realizo esse procedimento na minha prática clínica e, portanto, sou operador clínico da tecnologia citada nesta edição. Sou casado com Paula Pfeifer, usuária de implante coclear e criadora de conteúdo na área da perda auditiva, com quem conduzi o projeto "Surdos que Ouvem". Esse projeto foi apoiado pelo Facebook Community Leadership Program (Meta). Nesta edição não recomendo nem comparo marcas ou modelos específicos de dispositivos.

Direito de resposta. Qualquer empresa, autor ou instituição mencionada nesta edição pode enviar resposta editorial para newsletter@clinicasonora.com. Respostas pertinentes serão publicadas na edição seguinte.

Aviso. Este conteúdo é análise editorial pessoal. Não constitui orientação clínica individual nem aconselhamento de compra.


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Dr. Luciano Moreira

CRM RJ 651923 • RQE Nº: 9780 • Especialista em Otologia

Médico otorrinolaringologista especializado em cirurgias da audição. Referência no Brasil em otosclerose e implante coclear. Atende no Rio de Janeiro e São Paulo.

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Dr. Luciano Moreira

CRM: 5265192-3

Médico otorrinolaringologista especializado em otologia e cirurgias da audição. Formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, é membro da Academia Brasileira e Americana de Otorrinolaringologia.

Líder da Clínica Sonora, referência no tratamento de surdez, otosclerose e implante coclear. Atende pacientes de todo o Brasil e do exterior por telemedicina e presencialmente no Rio de Janeiro

Academia Brasileira de ORL

Academia Americana de ORL

Especialista em Otologia

Cirurgião de Implante Coclear

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