O que é a otite média crônica colesteatomatosa no ouvido

Neste artigo você vai aprender:

Resposta rápida

"Otite média crônica colesteatomatosa" é um nome difícil para uma ideia simples. É uma otite crônica do ouvido que tem um colesteatoma dentro. O colesteatoma é uma bolsa de pele que cresce onde não deveria, dentro do ouvido médio, e vai corroendo o que encontra pela frente [1]. Existe a otite crônica simples, que é uma inflamação de longa data sem essa pele invasora, e existe a colesteatomatosa, que tem o colesteatoma e por isso quase sempre precisa de cirurgia [1][3]. Se você leu esse termo num laudo ou num pedido de cirurgia, esta página explica, em detalhes, o que ele quer dizer.

O nome, quebrado em pedaços

O nome impressiona pelo tamanho, mas cada palavra descreve uma coisa. Vamos por partes.

"Otite média" é a inflamação do ouvido médio. O ouvido médio é a câmara de ar logo atrás do tímpano, onde ficam os três ossinhos que conduzem o som. "Crônica" quer dizer de longa data. Não é a dor de ouvido que aparece numa gripe e some numa semana. É um problema que se arrasta por meses ou anos e não passa sozinho. A otite crônica costuma vir com um tímpano furado e, muitas vezes, com secreção que sai pelo ouvido de tempos em tempos [2].

"Colesteatomatosa" é a palavra que pesa. Ela diz que essa otite tem um colesteatoma dentro. O colesteatoma não é um tumor nem um câncer. É um acúmulo de pele no lugar errado. A mesma pele que reveste o canal do ouvido acaba entrando no ouvido médio e formando uma bolsa que vai crescendo [1]. À medida que cresce, ela empurra e corrói o osso e os ossinhos da audição ao redor [1]. Para entender essa bolsa de pele por dentro, veja o que é o colesteatoma.

Um laudo pode trazer ainda outra palavra parecida, "supurativa". Otite média crônica supurativa quer dizer otite crônica que solta pus ou secreção pelo ouvido [2]. Essa palavra descreve a secreção, não a presença do colesteatoma. Por isso os dois termos não são a mesma coisa. O que define a forma perigosa é o colesteatoma, e é isso que a palavra "colesteatomatosa" está avisando.

A diferença entre a otite crônica simples e a colesteatomatosa

Nem toda otite crônica é igual. Os otorrinos separam a otite média crônica em dois grandes tipos, e o que os divide é justamente a presença ou não do colesteatoma [3][4].

A forma simples, também chamada de não colesteatomatosa, é a otite crônica da mucosa. Ela costuma se apresentar como uma perfuração no tímpano, que pode estar seca ou soltando secreção de vez em quando [3]. É uma inflamação incômoda, que atrapalha a audição e pode infeccionar, mas em geral não invade nem destrói o osso ao redor [3]. É a forma mais comum e a menos agressiva.

A forma colesteatomatosa é outra história. Ela tem o colesteatoma, e o colesteatoma é a parte mais agressiva da otite crônica [4]. Aquela bolsa de pele cresce devagar, como um caroço que aumenta pouco a pouco, e vai comendo o osso pela frente, incluindo os ossinhos que transmitem o som [4]. Por isso essa forma tende a causar mais estrago com o tempo. É a que exige atenção cirúrgica.

Olhando por fora, o paciente não consegue saber qual das duas tem. As duas dão perda de audição e secreção, e as queixas se parecem. A diferença aparece no exame do ouvido e na tomografia, não no sintoma. Por isso o termo do laudo é tão útil. Ele já diz de qual dos dois tipos se trata.

Otite crônica simples (não colesteatomatosa) Otite crônica colesteatomatosa
O que tem dentro Perfuração e inflamação da mucosa, sem a pele invasora [3] Um colesteatoma, a bolsa de pele que cresce no lugar errado [1]
Como se comporta Em geral não destrói o osso ao redor [3] Corrói o osso e os ossinhos ao crescer [1][4]
Secreção Pode sair pelo ouvido, seca ou úmida [2] Costuma sair, às vezes com odor
Conduta comum Às vezes só acompanhar; a cirurgia pode ser eletiva [3] Quase sempre cirúrgica [1][3]

Os perigos e as complicações da forma colesteatomatosa, como a perda auditiva e o risco para as estruturas vizinhas, têm página própria. Veja colesteatoma e otite crônica.

Por que a colesteatomatosa quase sempre precisa de cirurgia

A resposta é simples. Não existe remédio que dissolva um colesteatoma. Nenhum antibiótico, nenhuma gota, nenhum comprimido faz aquela bolsa de pele sumir [1]. A retirada só acontece com cirurgia, e a cirurgia é o único tratamento que resolve de verdade [1]. Enquanto o colesteatoma fica ali, ele tende a crescer e a corroer mais, no seu próprio ritmo, que varia de pessoa para pessoa [1].

A otite crônica simples permite mais calma. Quando não há colesteatoma, o ouvido às vezes pode ser só acompanhado de perto, e a cirurgia, quando entra, costuma servir para fechar a perfuração e melhorar a audição, não para conter uma pele que avança [3][4]. Na forma colesteatomatosa a lógica se inverte. Esperar não faz o colesteatoma regredir, e o tempo joga a favor dele.

Quando operamos um colesteatoma, o nosso primeiro trabalho é retirar toda a pele doente, inclusive nos cantos escondidos do osso atrás da orelha [1]. Só depois disso pensamos na audição. A cirurgia usada para isso tem nome próprio. Veja a cirurgia para remover o colesteatoma e a operação em si, a timpanomastoidectomia, que junta a limpeza do osso, a mastoidectomia, com o conserto do tímpano.

Como se chega ao diagnóstico

Antes de qualquer decisão, o ouvido precisa ser examinado de perto. No consultório, olhamos o tímpano com um endoscópio, uma câmera fina que entra no canal do ouvido e mostra a imagem ampliada numa tela [1]. É esse exame que diferencia uma perfuração simples de um colesteatoma escondido atrás de uma crosta ou de uma bolsa de retração no tímpano.

A audiometria mede o quanto e de que jeito a audição caiu. Quando o colesteatoma interrompe a corrente de ossinhos, o som chega abafado, e essa perda é chamada de condutiva. Ela vem do bloqueio mecânico da transmissão do som, não de um defeito do ouvido interno.

A tomografia costuma completar o quadro. Ela é o exame que enxerga o osso em detalhe e mostra até onde a doença chegou, se corroeu os ossinhos e se avançou para a mastoide, o osso atrás da orelha [1]. Com a otoscopia, a audiometria e a tomografia na mão, dá para saber com segurança se a otite crônica é simples ou colesteatomatosa e o que cada caso pede.

Uma consulta on-line pode servir de triagem inicial ou de segunda opinião preliminar, para revisar exames e orientar os próximos passos. A decisão de operar um colesteatoma, porém, exige o exame do ouvido no consultório. Essa parte não se faz à distância.

O que esperar do tratamento

O tratamento da forma colesteatomatosa é a cirurgia, feita sob anestesia geral e com o auxílio de um microscópio, que amplia o campo dentro do ouvido durante a operação [1]. O objetivo tem uma ordem que não muda. Primeiro retirar toda a doença, depois deixar o ouvido seco e seguro, e só então cuidar da audição [1].

A audição pode melhorar quando os ossinhos são poupados ou reconstruídos, mas o ganho varia de pessoa para pessoa e não é garantido de antemão [1]. Por isso o combinado com o paciente precisa ser claro desde o começo. A cirurgia trata primeiro a doença. A audição vem depois, dentro do que cada ouvido permite. Os detalhes de como a operação é feita, a recuperação e os riscos estão na página sobre a timpanomastoidectomia.

Nota pessoal: Muita gente chega ao consultório com o laudo na mão e a palavra "colesteatomatosa" pesando como uma sentença. Meu papel é desmontar o susto. O nome é comprido, mas só está dizendo que aquela otite crônica tem uma bolsa de pele dentro, e que essa bolsa precisa sair. Não é câncer. É uma doença que se comporta mal quando fica parada. O que muda o desfecho não é o medo do nome, é entender que a forma com colesteatoma tem hora para ser operada, e que a decisão se toma com o exame do ouvido e a tomografia na frente, sem pressa artificial e sem empurrar com a barriga.

Antes de decidir

Se você recebeu um laudo com "otite média crônica colesteatomatosa" ou um pedido de cirurgia, o próximo passo é examinar o ouvido de perto e ver os exames com calma. Comece entendendo o colesteatoma e, se quiser, use uma consulta on-line como triagem inicial, lembrando que a decisão cirúrgica precisa do exame presencial.

O Dr. Luciano Moreira atende pacientes com perda auditiva do mundo inteiro através da Telemedicina. Para marcar sua consulta, clique aqui.

Referências

  1. Kennedy KL, Singh AK. Middle Ear Cholesteatoma. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024. NBK448108
  2. Rosario DC, Mendez MD. Chronic Suppurative Otitis. StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023. NBK554592
  3. Yıldız E, Kuzu S, Günebakan Ç, Balcı A. A New Biomarker in Differentiation of Mucosal Chronic Otitis Media from Squamous Chronic Otitis Media: The Systemic Immune-Inflammation Index (SII). Indian J Otolaryngol Head Neck Surg. 2021;74(4):476–482. PMC9741670
  4. Tang Y, Lian B, Zhang M, et al. Sensorineural damage in chronic suppurative otitis media with and without cholesteatoma: a comparative study. Ann Transl Med. 2022;10(14):778. PMC9372689
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Dr. Luciano Moreira

CRM RJ 651923 • RQE Nº: 9780 • Especialista em Otologia

Médico otorrinolaringologista especializado em cirurgias da audição. Referência no Brasil em otosclerose e implante coclear. Atende no Rio de Janeiro e São Paulo.

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Dr. Luciano Moreira

CRM: 5265192-3

Médico otorrinolaringologista especializado em otologia e cirurgias da audição. Formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, é membro da Academia Brasileira e Americana de Otorrinolaringologia.

Líder da Clínica Sonora, referência no tratamento de surdez, otosclerose e implante coclear. Atende pacientes de todo o Brasil e do exterior por telemedicina e presencialmente no Rio de Janeiro

Academia Brasileira de ORL

Academia Americana de ORL

Especialista em Otologia

Cirurgião de Implante Coclear

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