neurotrofina

Neurotrofina

Pesquisadores da universidade de Michigan e Harvard divulgaram resultados de um estudo que pode nos fazer rever um conceito importante sobre a surdez. Hoje entendemos que a surdez sensorioneural, aquela decorrente da lesão das células ciliadas da cóclea, é quase sempre definitiva, não curável. Uma das causas mais comuns desse tipo de surdez é a exposição exagerada ao barulho.

No estudo, liderado pelo pesquisador Gabriel Corfas, foi administrado tamoxifeno (medicação usada em alguns estágios do tratamento do câncer de mama) a camundongos com surdez causada pela exposição prévia ao ruído. Duas semanas após a administração, usando o exame de potencial evocado auditivo (BERA) semelhante ao que usamos na prática clínica em pessoas, observou-se a recuperação da audição. Essa melhora não foi verificada no grupo controle, que não usou droga.

O tamoxifeno atua no nível genético, aumentando a produção de uma neurotrofina (NT3), proteína que atua na comunicação entre as células ciliadas da orelha interna e o cérebro, recuperando a via auditiva.

Há um caminho a percorrer até sabermos se esses resultados pode ser reproduzidos em seres humanos. Entretanto, esse e outros estudos em andamento sugerem que, num futuro próximo, pacientes portadores de surdez induzida por ruído ou mesmo decorrente do envelhecimento poderão ser curados com a terapia genética abrindo uma linha de atuação na reabilitação auditiva.

Referências:

Neurotrophin-3 regulates ribbon synapse density in the cochlea and induces synapse regeneration after acoustic trauma, Gabriel Corfas, et al., eLife, DOI: http://dx.doi.org/10.7554/eLife.03564, published online 20 October 2014.

University of Michigan Health System news release, accessed 21 October 2014