Aparelhos Auditivos

Os aparelhos auditivos existem há mais de 100 aos e têm sua história ligada as sequelas auditivas sofridas por combatentes na guerra civil americana no século XIX. Nomes como Graham Bell e Thomas Edison estiveram ligados aos primórdios da tecnologia.

Contraste entre um dos primeiros aparelhos auditivos ao fundo e um atual

Nesses mais de 100 anos, a evolução dos aparelhos foi notável.  Influenciada pela eletrônica e pela revolução digital, eles partiram de grandes aparatos com caixas e fios até chegarem a diminutos dispositivos de alta tecnologia.

Por outro lado, a incidência da deficiência auditiva vem crescendo muito nas últimas décadas. Impulsionada pelo aumento do ruído ambiental no mundo moderno e pelo envelhecimento da população, dentre outras causas. O fato é que cada vez mais pessoas buscam ajuda para ouvirem melhor. Embora vários desses casos possam ser tratados com medicamentos, cirurgias e implantes cocleares,  muitos terão nos aparelhos auditivos a melhor opção de reabilitação.

Abaixo seguem as respostas para 12 perguntas frequentes sobre aparelhos auditivos.

Quem deve usar aparelhos auditivos?

Todas as pessoas que têm algum grau de perda auditiva que não pode ser resolvida com um tratamento médico ou cirúrgico.

No passado ainda era comum os médicos considerarem que perdas auditivas pequenas, ou as que surgem com a idade, como algo normal. Atualmente, graças ao entendimento das possíveis complicações decorrentes da deficiência auditiva, essa não é mais uma conduta aceitável.

Ainda entendo bem o que as pessoas falam. Posso esperar minha audição piorar para usar aparelhos auditivos?

Não.

Embora seja possível levar o dia a dia com algum grau de perda auditiva sem tratamento, há um custo alto nessa conduta.  É mais ou menos o mesmo do que dizer que você não deve usar óculos enquanto a miopia não te impedir de enxergar as pessoas.

Quando surge a perda auditiva, a questão não é o que você ainda consegue ouvir e sim o que você não está ouvido e nem se dá conta. E isso aumenta o risco que você desenvolva demências como a doença de Alzheimer.

Não quero usar aparelhos auditivos. Posso fazer uma cirurgia?

Depende.

Existem tratamentos cirúrgicos para tratar diferentes tipos e graus de perda auditiva. Os mais comuns são as timpanoplastias, a estapedectomia, os tubos de ventilação e os diferentes implantes auditivos. Entretanto, nos casos da deficiência auditiva do tipo neurossenrorial de grau leve a severo, a maioria dos pacientes é candidata ao uso de aparelhos auditivos.

Minha perda auditiva é unilateral. Preciso de aparelho auditivo?

Sim, mas há outras opções.

O tipo exato de aparelho indicado para os casos de perda unilateral depende do grau da perda. Caso você tenha uma perda parcial, um aparelho comum pode ajudar. Já em casos de perda completa de um ouvido, pode ser indicado um aparelho auditivo conhecido como CROS.

Nesses casos há também opção de uma prótese ancorada ao osso e mais raramente, do implante coclear. Entenda todas as opções de tratamento da surdez unilateral nesse artigo.

Se eu usar aparelho auditivo vou perder mais audição?

Não. Mas atenção!

Você só corre esse risco se usar aparelhos mal regulados ou por conta própria. Aparelhos auditivos sempre devem ser regulados por fonoaudiólogos treinados e com auxílio de equipamentos específicos. Isso garante eficácia e total segurança no uso.

Atualmente já existem modelos de aparelhos que podem ser ajustados pela internet. Esse é o caso de alguns aparelhos da marca Resound.

Quem explica é a fonoaudióloga Sugley Silva: “O ReSound Assist é a plataforma que permite que o profissional realize ajustes finos à distância, através do nosso aplicativo (ReSound Smart 3D), quando o paciente solicitar. Garantindo melhor adaptação, mais participação do paciente no processo de adaptação e maior aproximação do profissional e do paciente.”

Com os aparelhos auditivos vou ter uma audição normal?

Não. Mas você pode fazer coisas que os ouvintes normais não podem!

Aparelhos auditivos são dispositivos eletrônicos. Apesar da sua avançada tecnologia, não são capazes de substituir a completa estrutura no nosso ouvido. Assim como a voz de alguém falando na sua frente tem uma qualidade maior do que a de uma gravação.

Por outro lado, existem algumas funcionalidades dos aparelhos modernos que o ouvido humano está longe de conseguir fazer. É o caso da conectividade sem fio com outros dispositivos eletrônicos. Como exemplo, você pode ser capaz de atender o telefone, assistir televisão ou ouvir o áudio de músicas e filmes diretamente no seu aparelho. Além disso, eles já podem se conectar à internet.

A fonoaudióloga Marcella Vidal, da empresa Telex explica essa inovação trazida pelo aparelho Opn da empresa Oticon.  “O Opn é um aparelho auditivo conectado à internet das coisas. Através do App Oticon On, é possível efetuar tarefas como acender as luzes de casa ao ligar o aparelho, receber um e-mail por voz direto no aparelho ou ainda receber um SMS para ser avisado que a bateria está acabando“.

Quanto custa um aparelho auditivo?

Eles são caros.

Existe uma grande variação de preço, dependendo de região do país, modelo, tecnologia, acessórios, etc. A faixa atual é em trono de 4 e 20 mil reais por aparelho. Nesse link você consegue ter mais detalhes sobre preços praticados no Brasil em 2018 segundo os compradores.

O plano de saúde dá cobertura a aparelhos auditivos?

Não, salvo exceções.

A agência nacional de saúde não obriga as operadoras a cobrir custos com aparelhos auditivos. Entretanto, alguns poucos planos de saúde têm essa cobertura.

Como conseguir um aparelho auditivo gratuito?

Nos centros de saúde auditiva do SUS.

Existem centros espalhados por todo o país. Não espere encontrar os melhores aparelhos nem os mais modernos e esteja preparado para as filas e dificuldades habituais de ser atendido. Entretanto, o programa de saúde auditiva no Brasil funciona razoavelmente bem.  Ele dispõe tanto a aparelhos auditivos quanto de implantes cocleares para quem precisa.

Existe aparelho auditivo invisível?

Sim, mas ele não serve para todos os casos.

No Brasil, está disponível o aparelho Lyric, fabricado pela empresa suíça Phonak. No exterior há também de outras fabricantes. Trata-se de um dispositivo bem pequeno inserido no conduto auditivo externo pelo profissional do centro auditivo. Em tese, o paciente pode levar sua vida normalmente, inclusive com atividades dentro da água.  Entretanto, ele deve retornar com o intervalo de alguns meses para remover e inserir outro.

Entretanto, a possibilidade de uso do mesmo depende do paciente ter uma anatomia favorável, do nível da perda auditiva e da disposição em pagar um preço superior aos modelos tradicionais.

Porque algumas pessoas que usam aparelho auditivo continuam com dificuldade de ouvir?

É uma situação comum. Eis algumas possibilidades:

  • O aparelho está mal ajustado. A adaptação do aparelho auditivo é um processo que requer ajustes repetidos. Existem métodos bastantes eficazes para otimizar o ajuste dos aparelhos, como por exemplo o mapeamento de fala, atualmente disponível em vários centros auditivos.
  • O aparelho usado não é o ideal para o caso. A escolha do aparelho depende de um fonoaudiólogo competente e de um paciente disposto a realizar testes com diferentes modelos e ajustes.
  • O diagnóstico da perda auditiva está errado. Com frequência avaliamos pacientes com exames auditivos imprecisos ou grosseiramente errados. Nesses casos fica praticamente impossível adaptar um aparelho auditivo, ou mesmo saber se a pessoa precisa mesmo de usa-los.
  • Existe um problema no processamento cerebral da audição. Algumas pessoas têm deficiências maiores do que apenas a diminuição da capacidade de ouvir. Nesse casos, os aparelhos auditivos são apenas uma parte do tratamento, havendo também indicação de terapias fonoaudiológicas específicas.

Não me adaptei aos aparelhos auditivos. E agora?

Você precisa procurar um otorrinolaringologista com experiência em reabilitação auditiva.

Muitas vezes é necessário reavaliar o quadro desde o início, buscando o motivo da perda auditiva até a avaliação e todas as opões disponíveis para o tratamento. Abaixo seguem algumas causas para a dificuldade de adaptação e suas possíveis soluções.

  • Sua perda é grande demais. Pacientes com perdas auditivas severas ou profundas podem ter benefício limitado com aparelhos auditivos. Nesses casos, pode ser indicado um implante coclear.
  • Você pode ter alergias ou infecções causadas pelos aparelhos. Embora a maioria das pessoas não apresente nenhuma reação colateral aos aparelhos, em outras o uso pode ser impossibilitado inflamações repetidas na pele e nos ouvidos. Alguns desses podem se beneficiar de diferentes tipos de implantes auditivos disponíveis.
  • A qualidade do som não te satisfaz. Se mesmo após todos os ajustes possíveis você continua insatisfeito com a qualidade do som e sua perda não está num nível suficiente para se pensar num implante coclear, você pode avaliar a viabilidade de usar um implante auditivo de orelha média.