Polipose Nasal

O Pólipo Nasal

Pólipos nasais são um motivo frequente de consultas nos consultórios de otorrinolaringologia. Enquanto pólipos nos intestinos, na bexiga ou útero levantam suspeita de um tumor maligno, os pólipos nasais raramente estão relacionados ao câncer. É mais comum que eles se apresentem em pessoas com asma, rinite alérgica ou sinusites de repetição. Os sintomas podem variar, dependendo da localização e dimensão das lesões dentro do nariz. Pólipos pequenos podem ser assintomáticos. Devido a sua capacidade de ocupar várias regiões das cavidades nasais e paranasais, a doença recebe o nome de polipose nasal.

Sintomas

O que Causa os Pólipos Nasais?

Pólipos nasais são bem mais comuns após os 40 anos de idade, embora eles possam ocorrer mais cedo. Nas raras vezes em que aparecem em crianças, é importante investigar a possibilidade de fibrose cística. Bem mais comum é a relação da polipose nasal com a rinite alérgica, asma, alergia à aspirina, e sinusites. No passado era comum considerar que alergias eram a causa de todos casos. Atualmente há muita discussão sobre o assunto e parece mais correto dizer que os pólipos tendem a se formar em ambientes nasais cronicamente inflamados, seja qual for a causa da inflamação.

Como Diagnosticar?

Os sintomas descritos acima podem levantar a suspeita de polipose, mas o diagnóstico é realizado na consulta com o otorrinolaringologista. Quadros muito extensos e que se desenvolveram durante anos, podem formar pólipos facilmente visíveis no exame clínico com a luz frontal (luz que o médico usa presa a testa). Entretanto, o mais comum é que a lesões possam ser observadas através da vídeo-endoscopia nasal (rígida ou flexível). Trata-se de um exame simples e realizado em consultório, com ou sem a aplicação de anestesia tópica no nariz através de um spray.

Tomografia Computadorizada com pólipos nasais

A aparência dos pólipos é a de uma bolsa ou um abaulamento amarelado ou bege, de consistência amolecida. Algumas vezes, seu aspecto pode ser diferente, gerando dúvida no examinados quanto a natureza da lesão (pólipo ou tumor no nariz). Nesses casos, uma biópsia pode ser necessária.

A tomografia computadorizada dos seios da face é usada para avaliar a extensão dos pólipos dentro das cavidades nasais e paranasais. Sua avaliação minuciosa também é importante para a estudar a anatomia e programar abordagem cirúrgica, quando essa for indicada.

Qual o Tratamento?

MEDICAMENTOS

Pólipos nasais pequenos e que não crescem podem ser assintomáticos, podendo ser apenas acompanhados, sem o uso de medicamentos. Entretanto, é mais provável que os pólipos tragam alguns do sintomas acima descritos, necessitando de tratamento.

Os medicamentos mais utilizados são os corticosteroides, tanto por via oral quanto pulverizados diretamente no nariz através de um spray. Uma parte dos pacientes apresenta excelente resposta com esses corticoides tópicos. Sua propriedade de “encolher” os pólipos pode controlar a doença clinicamente em diversos casos, sem necessidade de cirurgia. As formulações modernas fazem efeito quase que exclusivamente no nível local, com baixo risco de efeitos colaterais. Devido a soma de sua eficacia e segurança, eles se tornaram o “padrão ouro” no tratamento clínico dos pólipos nasais.

Antibióticos e antialérgicos também podem ser empregados em pessoas que também apresentam quadros de sinusites e rinite alérgica.

O uso livre de solução fisiológica nasal ajuda a manter as cavidades nasais limpas e desobstruídas.

CIRURGIA

Para uma parte dos pacientes não é possível o controle clínico da polipose nasal. Nesses casos podemos indicar a cirurgia, hoje realizada pela via endoscópica. Usando um instrumental específico para a dimensão estreita das fossas nasais e assistido por fibras óticas com um sistema de imagem em alta definição, o cirurgião pode “entrar” na cavidade nasal com muita precisão. Trata-se da cirurgia endoscópica funcional das cavidades paranasais (em inglês, FESS), que pode ser feita sob anestesia geral ou local.

Na maioria das vezes, os pacientes operados podem retornar para casa no mesmo dia, com a recomendação de usar alguns medicamentos orais por poucos dias. O desconforto pós-operatório é pequeno, sendo incomum a queixa de dor. A boa recuperação costuma permitir que a pessoa retome as atividades profissionais ou acadêmicas em poucos dias.

Algumas medidas podem ser adotadas para se evitar sangramento além do normal, como a dieta líquida fria e o uso de travesseiros mais altos por alguns dias. Na maioria das vezes recomendamos evitar a atividade esportiva ou esforços físicos maiores por pelo menos 3-4 semanas.