LABIRINTITE NÃO existe! Dr. Luciano Moreira, Otorrino

labirintite

labirinto

As pessoas usam deliberada e equivocadamente a palavra labirintite para se referir a tonturas e outras questões médicas. É muito comum que os pacientes cheguem ao consultório já afirmando que estão com labirintite. Ainda mais comum é receber pacientes oriundos de emergências nas quais foram diagnosticados com… labirintite.

“EU TENHO LABIRINTITE”

“Tô com labirintismo”, “meu labirinto atacou”, “eu tenho labirinto”…

Ouvir essas e outras dos pacientes é natural. Afinal ninguém é obrigado a dominar os termos médicos com perfeição. Tenho a convicção de que se eu abrir a boca pra falar de engenharia de pontes ou da macroeconomia dos países bálticos, ia sair algo mais ou menos desse nível.

Até aí, ok! Mas já era hora da medicina, especialmente nós otorrinolaringologistas, pararmos de usar o termo labirintite da forma errada.

LABIRINTITE EXISTE?

Começo então desmentindo o título: Sim, labirintite existe mas não essa que você está acostumado a falar ou a ouvir por aí.

Labirintite de verdade é uma infecção do labirinto, bastante incomum e quase sempre secundária à uma otite média (infecção do ouvido).

 

O QUE É E QUANDO OCORRE A LABIRINTITE?

Isso ocorre quando o acúmulo de bactérias e pus dentro do ouvido, sob pressão, conseguem entrar na orelha interna (ouvido e orelha aqui para nós são sinônimos), levando infecção e inflamação aos líquidos, e às delicadas membranas e células aí presentes.

É uma situação dramática e que requer muitas vezes internação hospitalar, antibióticos venosos e procedimentos cirúrgicos para drenagem da orelha média.

É certo que muitos termos da língua brasileira passam a ser aceitos pela força do uso, mas no caso da labirintite isso causa confusão e um desserviço aos pacientes. Explico porquê.

O QUE A LABIRINTITE NÃO É

O termo labirinte é usado incorretamente para designar todas as doenças que afetam a orelha interna (veja aqui o vídeo que mostra o labirinto) e que causam vertigens e outros sintomas como zumbidos, náuseas ou perda de audição.

O correto nesses casos seria falarmos em labirintopatias.

As labirintopatias (até ontem pra você, “labirintite”) são um conjunto de doenças e disfunções do labirinto e não UMA doença.

Veja no quadro abaixo uma classificação das LABIRINTOPATIAS

Síndrome de Ménière
Fístula Perilinfática
Deiscência do Canal Seicurcular Superior
Traumatismos do osso temporal
Sífilis
Obstrução da artéria vestibular
Neuronite vestibular
Vertigem posicional paroxística benigna
Fístulas labirínticas
Medicações vestibulotóxicas
Tumores do nervo vestibulococlear

Por aí já fica fácil perceber que além das diferentes causas, cada uma das labirintopatias tem um tratamento diferente.

A conduta correta em cada uma dessas doenças acima é enormemente variado: Apenas observação para uns, medicamentos orais, muscular ou mesmo aplicados via intratimpânica para outros, terapias corporais de reabilitação, cirurgias do ouvido ou mesmo neurocirurgias.

Enfim, colocar doenças diferentes todas num mesmo saco e chama-las pelo mesmo nome, labirintite, não faz sentido!

A medicina é baseada antes de tudo em informação. Difundi-la da maneira correta, sem generalizações e em prol da saúde é nosso dever. Se você, um parente, ou um conhecido sofre com tonteiras, isso pode ser causado por uma alteração do labirinto.

Na maioria das vezes não é grave, mas antes de pensar em que remédio tomar, procure um otorrinolaringologista tente descobrir a causa do problema para saber descobrir a melhor forma de resolve-lo.

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Dr. Luciano Moreira otorrino

Dr. Luciano Moreira – CRM-RJ 65192-3

Médico Otorrinolaringologista especializado em cirurgias da audição

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