foto de Simon.

Um artigo publicado nesse mês de novembro na Annals of Occupational Hygiene e liderado por Ian O’Brien da Universidade de Sydney, apresenta os detalhes de um programa pioneiro para prevenção da surdez nos músicos da orquestra sinfônica da Austrália.

É sabido que nossas orelhas podem ser danificadas definitivamente quando expostas à ruídos superiores a 85 decibéis. Considerando-se que numa orquestra sinfônica podem haver picos que ultrapassam os 130 dB, fica fácil perceber o risco que correm aqueles que precisam captar as nuances melódicas e harmônicas que compõem a música, especialmente a erudita. Um recente estudo alemão demonstrou que músicos têm um risco 57% maior de desenvolver perda auditiva quando comparados a população em geral.

Os 3 primeiros anos do programa, que já dura 9, foram para mapear e monitorar a exposição sonora nos diversos pontos da orquestra e de cada um de seus membros. Levando-se em conta que o risco da surdez varia com a predisposição genética de cada músico e com o instrumento tocado por ele, foram desenvolvidos protetores auditivos eletrônicos personalizados e de alta performance, bem como introduzidos no corpo da orquestra equipamentos chamados risers, capazes de transferir à plateia a música oriunda da parte de trás, sem que ela tenha que passar pelos músicos da frente. Institui-se também a rotação nas posições dos músicos e a instalação de telas absortivas em alguns espaços acústicos pobres.

A perda auditiva induzida pelo ruído pode se instalar lentamente, o que dificulta o seu diagnóstico no início. Além disso, o uso de protetores é muito raro em músicos que, entregues completamente a sua arte, têm dificuldades para se adaptarem a dispositivos que alteram a forma como percebem o som produzidos por eles. Entretanto, o conhecimento do risco e iniciativas como a australiana mostram que é possível unir música de qualidade e cuidado com audição.