BARULHO – O POLUENTE INVISÍVEL

“Um dia o homem vai lutar contra o barulho como fez contra a peste ou a cólera.” Foi o que disse em 1910, o médico Robert Koch, vencedor do prêmio Nobel de medicina pelos seus estudos sobre a tuberculose.

De fato o conceito de poluição sonora é antigo, mas seu papel como algoz da saúde humana é pouco reconhecido pela sociedade até hoje e raramente objeto de atenção do poder público. Além do risco de desenvolvimento de surdez por exposição ao barulho excessivo, tema assunto esse repetidamente abordado aqui no Otoblog, o barulho afeta negativamente a qualidade do sono, com comprovado dano à capacidade cognitiva. Além disso, alguns artigos recentes fornecem evidências que associam a exposição ao ruído à um risco aumentado de hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais. Esses estudos, observacionais  e experimentais, indicam que o barulho pode alterar a arquitetura do sono, elevar a pressão arterial e a frequência cardíaca, além de aumentar a secreção de hormônios responsáveis pelo estresse oxidativo. O resultado final desses eventos é a lesão da parede interna das artérias (endotélio), principal responsável pelo aumento no risco cardíaco e vascular em geral.

É diante desse cenário que é muito bem vinda a iniciativa do Dr Thomas Munzel, da Sociedade Europeia de Cardiologia, de aprofundar os estudos sobre o ruído e a saúde cardiovascular (Cardiovascular effects of environmental noise exposure). Segundo o Dr Munzel, que está a frente da fundação do Instituto de Pesquisas sobre o Barulho: “Está claro que o ruído pode ser considerado um novo fato de risco independente para as doenças do coração, assim como o cigarro e o aumento do colesterol”.

Que cada um de nós procure lembrar que carros, ônibus, restaurantes, escolas e etc não precisam nem podem ser barulhentos. Todos merecemos um maior respeito com nossos ouvidos e nossos corações.