Desvios do septo nasal e alterações estéticas do nariz são queixas muito comuns em nossos consultórios. Vários desses pacientes serão candidatos a uma cirurgia. É quando bate aquele medo: “Operar o meu nariz? Mas e se alguma coisa der errado? O que pode acontecer?” É assim que muitas pessoas me escrevem querendo saber mais sobre os riscos da cirurgia do nariz.

Isso é natural, e importante! Nossas opções na vida sempre se deparam com a velha equação RISCOS X BENEFÍCIOS. Quando um médico nos diz que uma cirurgia pode ajudar a resolver nossas queixas, devemos nos concentrar mesmo no que temos a ganhar, e a perder…

Listei abaixo os riscos envolvidos na cirurgia nasal, seja a cirurgia plástica realizada com objetivos estéticos, sejam os procedimentos cirúrgicos que visam melhora a respiração, como a correção do septo nasal .

Riscos da Cirurgia do Nariz

MAIS COMUNS

Anestesia geral ou local

Como qualquer outro procedimento, a cirurgia do nariz é realizada por uma equipe médica com anestesista. A evolução das técnicas anestésicas nos últimos anos trouxe grande avanço e maior segurança para os pacientes, principalmente através de do uso de drogas mais modernas. Nesse link, você pode saber mais sobre os riscos relacionados a anestesia.

Inchaço

Pacientes que se submetem apenas a cirurgias funcionais – realizadas internamente no nariz – raramente apresentam inchaço (que chamamos de edema) aparente. Nesses casos é mais comum que o inchaço seja interno, se manifestando como obstrução nasal. Já quase todos os pacientes submetidos a cirurgia plástica do nariz (ou a rinosseptoplastia) apresentam algum grau de inchaço, que é quase sempre passageiro após alguns dias ou poucas semanas.

Alguns cirurgiões recomendam aplicar gelo, manter a cabeceira mais elevada à noite ou realizar drenagem linfática especializada para acelerar a resolução do edema. Entretanto, o melhor remédio acaba sendo o tempo. Nosso corpo encara o procedimento cirúrgico como uma agressão, que chamamos de trauma. A resposta natural ao trauma, além de alguma dor e vermelhidão, também cria o edema. Antes de ser um risco ou uma complicação, o inchaço faz parte do processo natural de cicatrização.

Hematoma

Hematomas são acúmulos de sangue extravasado em consequência de algum trauma. No caso da rinoplastia, o trauma cirúrgico se dá muito próximo à pele, permitindo que se veja através dela os hematomas formados. Nem todos os pacientes apresentam hematomas após a cirurgia nasal. Isso depende do tempo de cirurgia, o tamanho da deformidade e da manipulação, as técnicas cirúrgicas aplicadas e a experiência do cirurgião.

Atualmente possuímos instrumentos e técnicas bem menos invasivos, fazendo que muitos pacientes apresentem poucos ou nenhum hematoma. Isso permite um retorno mais rápido às suas atividades do dia a dia. Quase sempre, os hematomas se resolvem com o tempo e sem deixar sequelas. É importante que durante essa fase a pessoa evite exposição solar, o que pode causar manchas definitivas.

Obstrução nasal transitória

Splint Nasal Externo

Nariz entupido é uma das queixas mais comuns nos primeiros dias após a cirurgia. Embora os antigos e temidos tampões nasais tenham ficado no passado para a maioria das equipes, o inchaço que ocorre dentro do nariz com frequência traz algum grau de obstrução nasal. A gravidade da queixa é dependente do tamanho da manipulação, da anatomia de cada um e do uso ou não de “splints” nasais  internos (placas de silicone usadas para manter o septo reto nos primeiros 7-10 dias após a cirurgia) ou externo.

A limpeza constante do nariz com soluções fisiológicas, o uso de descongestionantes nasais ou anti-inflamatórios e a elevação da cabeceira à noite podem aliviar.

 

MENOS COMUNS

Resultado indesejado

O nariz é composto por várias camadas de tecidos, com diferentes funções e propriedades: pele, tecido subcutâneo, gordura, pericôndrio, periósteo, osso, cartilagem e mucosa. A manipulação cirúrgica desse complexo anatômico requer conhecimento profundo e respeito a estrutura anatômica.

A cirurgia nasal é uma das mais complexas das cirurgias, tanto na área da cirurgia plástica como na otorrinolaringologia. Além disso, a manipulação realizada com um objetivo estético, pode ter uma consequência respiratória, e vice-versa. Assim, é fundamental que a equipe médica tenha total conhecimento e controle de todos os aspectos funcionais e estéticos do nariz.

Além disso, quando se fala de alteração estética, as consultas pré-operatórias são de crucial importância, com realização de fotos em diferentes incidências, discussão detalhada das alterações estéticas e das possibilidades de resultados relacionadas a cada uma das queixas. Esse é o momento ideal para alinhar as expectativas do paciente às realidades e limitações da cirurgia. Também é comum que nessas consulta o paciente passe a encarar suas queixas de uma forma diferente do que via antes, com uma visão do nariz num contexto mais harmônico da face como um todo.

Mesmo quando tudo foi devidamente explicado e planejado, o resultado final – respiratório ou estético – pode ficar diferente do esperado pelo paciente ou pelo cirurgião. Assim, cerca de 5-7% dos pacientes operados (números de nossa equipe), podem vir a ter indicação de um “retoque” cirúrgico. Nesse sentido é muito importante que o cirurgião, previamente ciente dessa possibilidade, não proceda alterações irreversíveis ou anti-anatômicas. A maior parte dos retoques cirúrgico pode ser feita com anestesia local, sendo bem mais simples do que o procedimento original.

Necessidade de uma nova cirurgia

Com menor frequência, recebemos pacientes que já fizeram alguma cirurgia nasal, com resultado muito ruim, seja estético ou respiratório. São casos muito desafiadores, uma vez que a anatomia original foi alterada e não sabemos o que encontraremos na sala de cirurgia. Na maioria das vezes esses resultados são causados por erros de técnica ou inexperiência do cirurgião. Quando se trata de cirurgia do nariz a melhor chance é a primeira!

RAROS

Sangramento

A mais temida das complicações da cirurgia do nariz, felizmente é uma das menos frequentes. Enquanto seja comum que o paciente apresente um leve sangramento no curativo tipo “bigode” nos primeiros dois dias após o procedimento, raramente (+-1%) podem surgir sangramentos mais volumosos, que não param sozinhos e precisam ser controlados pelo cirurgião. Esse controle pode requerer a introdução de um tampão no nariz, ou mais raramente, uma nova cirurgia e anestesia para controle do sangramento com cauterização.

A ocorrência de sangramentos repetidos no pós operatório, ou de grande intensidade, com necessidade de transfusão de sangue e risco de morte devem levantar a suspeita de que o paciente seja portadore de alguma doença da coagulação sanguínea que não tenha sido identificada antes da cirurgia.

Infecção

Infecções hospitalares e cirúrgicas são um grande risco em diversos tipos de cirurgias. Felizmente elas são bastante raras nas cirurgias do nariz e podem ser facilmente resolvidas na maioria das vezes. Os casos mais graves, com formação de abcessos nasais, podem requerer internação, uso de antibióticos venosos e drenagem cirúrgica.

Agora que você já sabe todos os riscos da cirurgia do nariz, também pode saber mais sobre como a cirurgia é realizada. Nesse link você descobre tudo isso, além de quais os benefícios que ela pode te trazer.