“Quais são os riscos da anestesia geral?”

Trata-se de uma pergunta de todo dia, no consultório, nas mensagens e e-mails recebidos. Abaixo seguem os esclarecimentos para as dúvidas mais frequentes, respondidas pelos médicos anestesiologistas Flávia Orgler e Marcelo Vellozo Barreira, experientes na aplicação da anestesia geral, em adultos e crianças, para cirurgias do ouvido, nariz e garganta.

O que é Anestesia Geral?

A anestesia geral é um estado reversível de inconsciência e relaxamento que possibilita o paciente ser operado de forma segura e completamente indolor, permitindo que o cirurgião realize seu trabalho com tranquilidade e eficiência.

Quanto tempo ela dura?

A anestesia geral é administrada continuamente durante todo o procedimento cirúrgico. Assim, ela dura o tempo necessário para que o cirurgião realize seu trabalho completamente.

Quem pode aplicar a anestesia geral?

A anestesia geral deve ser realizada por médicos anestesiologistas, que cursam 6 anos de faculdade de medicina e 3 anos de residência médica em anestesiologia. Eles não só aplicam a anestesia, mas também são responsáveis por cuidar do paciente durante todo o procedimento cirúrgico através da monitorização do ritmo cardíaco, da respiração, pressão arterial e temperatura, entre outros parâmetros.

De onde vem tanto medo da anestesia geral?

A anestesia geral é um procedimento temido por grande parte das pessoas. Isso se deve principalmente pelo medo do desconhecido e a divulgação alarmista de raros acidentes. Com o emprego de medicamentos, técnica e materiais adequados o anestesiologista reduz ao máximo os riscos da anestesia geral.

É possível acordar durante uma anestesia geral?

O risco de despertar durante a cirurgia é muito baixo (1 em cada 3.3oo cirurgias). Atualmente a maioria dos hospitais dispõe de um monitor (conhecido como BIS) que nos permite avaliar o nível de consciência durante todo o procedimento cirúrgico, reduzindo ainda mais o risco de despertar intra-operatório

Quais os riscos da anestesia geral?

Apesar de extremamente segura, a anestesia geral não está isenta de riscos ou complicações. A mortalidade relacionada a anestesia é rara e vem declinando significativamente nas últimas 5 décadas.

Os maiores riscos são os cardiovasculares e respiratórios. Sua incidência está diretamente relacionada ao estado de saúde prévio do paciente. Muitas dessas complicações podem ser previsíveis e prevenidas através da entrevista pré-anestésica. Nela podemos identificar os fatores de risco, otimizando o planejamento anestésico antes do procedimento cirúrgico.

A tosse é uma queixa comum entre os pacientes submetidos a anestesia geral, acometendo até 12,1% dos pacientes nas primeiras 24 horas.

Náuseas e vômitos podem ocorrer no pós-operatório, mas sua frequência diminuiu com o uso de medicamentos anestésicos mais modernos e o emprego de novas drogas anti-eméticas. Sua incidência é maior em pacientes com uma pré-disposição individual (histórico de náusea e vômitos intensos em pós operatórios anteriores), doença do labirinto e no sexo feminino. Também estão relacionados às medicações anestésicas utilizadas, bem como a duração e o tipo da cirurgia (laparoscópicas, de ouvido médio, abdominais e neurológicas estão entre as mais propensas).

Reações alérgicas são pouco frequentes, mas podem ocorrer. Porém reações alérgicas graves (anafilaxia, conhecido como “choque anafilático” ou “edema de glote”) são muito raras. A risco de anafilaxia em pacientes sob anestesia geral é de 1 para cada 10 ou 20 mil cirurgias. O conhecimento prévio, pelo anestesiologista, do histórico de alergia do paciente é extremamente importante na prevenção desses casos.

Como o paciente pode ajudar a diminuir os riscos da anestesia geral?

Durante a entrevista pré-anestésica é importante responder todas as perguntas de maneira completa e sincera. Não deixe de informar ao anestesiologista sobre problemas de saúde, uso de drogas e álcool. Enumere todos os remédios de uso regular e em especial aqueles que possam ter causado alguma alergia.

Cirurgias prévias, assim como possíveis reações à anestesias anteriores também devem ser relatadas.

Caso considere alguma informação importante que não tenha sido questionada, ela deve ser informada ao anestesiologista espontaneamente.

Para fumantes, o ideal é que se interrompa o cigarro pelo menos 2 semanas antes da cirurgia. Mas se não conseguir deve-se reduzir bastante (no máximo 1 a cada 4-5 horas).

Respeite rigorosamente o tempo de jejum, que é essencial para sua segurança (8 horas para sólidos, 6 horas para leite e 3 a 4 horas para líquidos claros). Essa recomendação visa evitar o risco de vômito com aspiração pulmonar durante a indução da anestesia geral.

Esclareça sempre TODAS as sua dúvidas com a sua equipe médica. A maioria das queixas e insatisfações no pós-operatório se deve à falta de comunicação.

Flávia Orgler – CRM  52.77877-0

Marcelo Vellozo Barreira – CRM  52.65598-8

 

Saiba mais sobre riscos:

Das cirurgias de amígdalas

Das cirurgias do nariz

Da cirurgia de implante coclear

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Pandit JJ, Cook TM, Jonker WR, et al. A national survey of anaesthetists (NAP5 Baseline) to esti- mate an annual incidence of accidental awareness during general anaesthesia in the UK. Anaesthesia 2013;68:343–53.
2. Bainbridge D, Martin J, Arango M, et al. Perioperative and anaesthetic-related mortality in developed and developing countries: a systematic review and meta-analysis. Lancet 2012;380:1075–81.
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4.Harper NJ, Dixon T, Dugue ? P, et al. Suspected anaphylactic reactions associated with anaesthesia. Anaesthesia 2009;64:199–211.