Amígdalas e Adenoides

Cirurgia amígdalas

Apesar de ser um dos procedimentos cirúrgicos mais realizados no mundo há décadas, muitos mitos são propagados sobre a cirurgia das amígdalas e das adenoides. Tentei reunir aqui as informações relevantes sobre o papel das amígdalas e adenoides na imunidade, as indicações da cirurgia, as orientações no pós-operatório e os cuidados importantes na hora de realizar o procedimento.

Para que servem as amígdalas e adenoides?

As amígdalas e adenoides são acúmulos de tecido linfoide, semelhantes aos gânglios que se encontram no pescoço, nas virilha e nas axilas.

As amígdalas se situam no fundo da garganta de cada lado da úvula (campainha).
Já a adenoide não pode ser vista sem instrumentos especiais pois está localizada no fundo do nariz (rinofaringe) e escondida pelo palato quando examinamos através da boca.

Situando-se na entrada da via respiratória, as amídalas e adenoides seriam uma barreira contra germes que entram pela o nariz e a boca. Os cientistas acreditam que elas funcionam como parte do sistema imunológico de nosso organismo, ao identificar os germes que tentam invadir nosso corpo, ajudando na formação de anticorpos contra eles. Esta atividade ocorre durante os primeiros anos de vida, diminuindo de importância a medida que a criança cresce. Aparentemente após os 3 anos de idade essa função cessa completamente. Apesar das prováveis funções descritas acima, já está claro que os pacientes submetidos a cirurgia de remoção das amígdalas e adenoides não apresentam nenhuma diminuição em sua imunidade nem aumento da frequência de infecções no futuro.

SINAIS DE ALERTA

Seguem alguns dos sinais e sintomas que podem indicar que as amígdalas e adenoides passaram a ser um problema e que se deve procurar um médico otorrinolaringologista:

  • Nariz entupido com frequência
  • Ronco noturno constante
  • Infecções repetidas da garganta, do nariz e dos ouvidos (amigdalites, sinusites ou otites)
  • Respiração pela boca
  • Dificuldade de se alimentar e/ou ganhar peso
  • Mal hálito

INDICAÇÕES PARA CIRURGIA

No passado operavam-se muito mais as amígdalas e a adenoides do que hoje em dia. Muitas das indicações para a cirurgia que existiam antes, deixaram de valer atualmente. Além disso o aparecimento de antibióticos mais eficazes e seguros, tornou o controle clínico das infecções das vias aéreas mais possível. Entretanto, ainda existem muitas situações em que as amígdalas e adenoides se tornam um sério problema e merecem ser removidas. São elas:

  • Abcessos da amígdala
  • Aumento (hipertrofia) das amígdalas e adenoides
  • Apneia do sono
  • Respiração bucal causando alterações no crescimento facial e na oclusão dentária
  • Suspeita de tumor maligno da amígdala
  • Roncos noturnos causados por aumento das amígdalas
  • Dificuldade de se alimentar ou deglutir causada por aumento da amígdala
  • Halitose causada pelas amígdalas
  • Alteração da voz por aumento das amígdalas e/ou adenoide

 

QUANDO OPERAR

Não existe idade ideal para a cirurgia das amígdalas e da adenoide e sim o momento certo de cada criança dependendo da gravidade do caso. O médico otorrinolaringologista avaliará a história de infecções de repetição ou de respiração oral e o impacto destas sobre o estado geral do paciente. A indicação de cirurgia só pode ser feita após uma rigorosa avaliação clínica, com ajuda de exames endoscópicos ou de imagem que comprovem o prejuízo causado por estas estruturas.

 

CUIDADOS PÓS OPERATÓRIOS

Crianças submetidas a adenoamigdalectomia costumam se recuperar muito bem. Já em adultos, trata-se de um pós-operatório bem mais chato. Alguns cuidados devem ser observados para a boa recuperação.

  • Alimentação líquido-pastosa fria ou gelada nos três primeiros dias. Sorvete batido tipo milk-shake, sopa fria, sucos de frutas não cítricas, mingau frio. No quarto dia alimentos mais consistentes, ainda frios ou mornos, como purê de batata, caldo de feijão, macarrão com molho de tomate, etc. No sétimo dia em diante alimentação normal, evitando ingerir alimentos crocantes ou que possam machucar a garganta ainda em cicatrização, como certos biscoitos.
  • Repouso em casa por 7 dias: sem brincadeiras que incluam corridas ou grande agitação. Optar por atividades mais calmas como, leitura, televisão, filmes, jogos de cartas, etc.
  • Esforços físicos mais vigorosos, educação física, natação, futebol e outros esportes estão proibidos por cerca de 30 dias ou até o cirurgião verificar a completa cicatrização da área.
  • Nos três primeiros dias escovar apenas os dentes da frente, evitado o contato da escova com a área operada. Não gargarejar ou bochechar com força.
  • Os pontos da cirurgia, quando dados, cairão por conta própria.
  • Febre de até 38 graus pode ocorrer nos dois primeiros dias, e muitas vezes não significam sinal de infecção.
  • Salivação e discreta eliminação de secreção nasal com raias de sangue podem ocorrer nas primeiras 24 horas. O médico deverá ser comunicado em caso de sangramento ativo (sangue vivo).
  • Em alguns casos podem ocorrer vômitos com ou sem coágulos (sangue pisado) nas primeiras 24 horas, que são decorrentes da deglutição de sangue da cirurgia. Entretanto qualquer eliminação de sangue vermelho-vivo deve ser comunicada à equipe médica.
  • Dores na garganta e de ouvido, semelhantes as que ocorrem na amigdalite, são comuns. Conseguimos reduzi-las com analgésicos em doses regulares.

Novidades e Avanços

Nos últimos anos vimos aparecer alguns instrumentos que vieram trazer mais segurança e conforto aos pacientes submetidos a adenoamigdalectomia. Segue abaixo uma breve apresentação sobre eles. Para mais detalhes pergunte ao seu médico.

  • Microdebridador (shaver) – Instrumento capaz de triturar e aspirar a adenoide sob visualização videoendoscópica. Apresenta a vantagem de ser mais preciso e menos traumático do que a técnica tradicional de curetagem, diminuindo a chance de recidiva ou remoção incompleta da mesma.
  • Bisturis de radiofrequência – Instrumentos utilizados para dissecar (descolar) as amígdalas de seu leito natural, cauterizar os cornetos nasais, com melhor controle do sangramento e diminuição da dor pós-operatória em alguns casos.

Luciano Moreira Médico OtorrinolaringologistaIMG_7301

PÁGINAS RELACIONADAS:

Ronco e Apnéia do Sono

Cirurgia do Septo Nasal e Rinoplastia

Riscos da Apneia do Sono em Crianças

Causas e Consequências de Respirar pela Boca

Atraso na Fala. Até Quando é Normal?

Bela Respiração