No início do século XIX, Prosper Ménière, diretor de Instituto do Surdos Mudos de Paris e estudioso da surdez, descreveu um tipo de doença que, além da perda auditiva, causava zumbido, crises de tonteira e sensação de ouvido “cheio”.

Com o passar dos anos, acabamos por descobrir que essas crises e sintomas da síndrome que hoje leva o seu nome  (também chamada de hidropsia endolinfática) são decorrentes de um aumento da pressão do líquido dentro do ouvido interno. Simplificando, seriam crises de “pressão alta” no ouvido.

O Labirinto

O ouvido interno está localizado dentro da mastóide (osso atrás da orelha) Ele é composto pela cóclea e por três canais ósseos semicirculares (o labirinto). O desenho e funcionamento desses canais é extremamente sofisticado. Dentro deles há um líquido (endolinfa) que envolve membranas e células neuronais, que atuam como sensores de movimento. A posição e a aceleração da cabeça posta em movimento é captada por esse sistema, o que nos ajuda no equilíbrio. Sem um labirinto saudável, ficar de pé ou andar seria bem complicado.

O Que Causa a Síndrome de Ménière

Embora muitas dúvidas e mistérios envolvam esta síndrome, tudo indica que as crises de tonteira sejam causadas pelo aumento repentino na pressão da endolinfa dentro do labirinto. Esse aumento poderia ocorrer pelo aumento da produção ou diminuição da drenagem da endolinfa, causados por alergias, problemas metabólicos e autoimunes, infecções ou mesmo erros alimentares.  No fim do ao passado pesquisadores da universidade de Colorado publicaram uma nova hipótese de mecanismo vascular para a doença, que ainda carece de comprovação científica. Mas a grande verdade é que existem muito mais perguntas do que respostas e estamos longe de entender a verdadeira causa da doença.

Sintomas

Uma crise típica de Ménière se inicia com a sensação de ouvidos “tapados” ou “cheios” por minutos ou horas. Após esse período podem aparecer vertigens (tonteiras rotatórias) intensas, zumbido, náuseas e vômitos. Além da perda auditiva durante essas crises, alguns pacientes podem experimentar desconforto com alguns sons. Essas crises podem durar horas. Alguns pacientes têm sua perda auditiva bastante agravada com a repetição das crises ao longo dos anos.

Diagnóstico

O quadro clínico acima descrito unido à investigação de outros problemas de saúde que podem estar por trás da síndrome de Ménière são as ferramentas mais importantes para o diagnóstico.

Alguns exames complementares como a audiometria e a eletrococleografia também são úteis para auxiliar o diagnóstico. A audiometria pode atestar o caráter flutuantes da audição durante as crises, com perda especialmente em graves no início da doença. Dosagens sanguíneas também podem auxiliar a detectar fatores metabólicos envolvidos.

Tratamento

Devido à característica um tanto “misteriosa” da doença de Ménière, algumas das opções de tratamento são empíricas, baseadas em estudos clínicos que atestam seu resultado, muitas das vezes sem sabermos de que maneira exata elas funcionam.

Podemos dividir o tratamento em medidas gerais, medicamentos orais e injetáveis, aplicações de drogas intratimpânicas e procedimentos cirúrgicos. Recomendamos uma restrição de sal na dieta e eventualmente o uso de uma antidiurético. As crises são tratadas com medicações orais ou injetáveis para sedar o labirintor e conter as náuseas.

Outros medicamentos, aplicações de drogas intratimpanicas e alguns procedimentos cirúrgicos podem ser usados para tentar conter a recorrência e a gravidade das crises.

Em 2004, a empresa Medtronic conseguiu aprovação nos EUA para venda de um aparelho portátil gerador de pressão no ouvido para tratamento do Ménière mas os resultados clínicos são variáveis.

Dependendo da gravidade e progressão da perda auditiva, pode ser indicado o uso de aparelhos auditivos e mais raramente, o implante coclear.