Definindo “Surdez”

Audiometria com audição normal

Perda auditiva, surdez ou disacusia têm, do ponto de vista médico, o mesmo significado. Os 3 termos são usados para as pessoas com diminuição dos limiares (limites) auditivos abaixo de níveis estabelecidos como normais. Embora o conceito de normalidade sempre gere discussões, o estabelecimento de critérios diagnósticos é fundamental para guiar os tratamentos.

Assim, com base na média da audição de adultos, foram classificados como portadores de audição normal aqueles que possuem limiares auditivos abaixo de 20-25 decibéis (dB) em todas as frequências normalmente testadas, entre 250 e 8.000 hertz (audiometria ao lado). Há alguma divergência entre os profissionais quanto ao limiar exato da normalidade, 20 ou 25dB, mas de uma maneira geral há uma tendência para se considerar 20dB o limite de normalidade para crianças e 25dB para adultos.

Graus de Surdez

Audiometria com disacusia leve à profunda

Limiares auditivos acima de 25dB passam a ser considerados alterados. Para fins de classificação, adotamos o sistema de graus para a perda auditiva. A classificação mais simples e comumente usada, gradua a audição em 5 níveis, segundo o quadro ao lado. É importante dizer que basta que, embora a audiometria teste o limiar auditivo em diversas frequências (entre os agudos e os graves), basta que uma dessas frequências esteja alterada para que a pessoa seja classificada como portadora de uma disacusia (esse é o termo mais usado nos laudos).

Outra situação bastante comum é que algumas frequências testadas apresentem resultados normais, enquanto outras apresentem limiares auditivos considerados alterados em diferentes graus. Nesses casos, quando a pessoa possui limiares auditivos em níveis diferentes da tabela ao lado, o profissional classifica a perda auditiva dizendo em qual nível ela começa e até onde ela vai. Como exemplo, pode se dizer que uma dada pessoa tenha uma disacusia de leve à severa.

Tipos de Surdez

Enquanto os graus dividem as perdas auditivas segundo um critério quantitativo, a diferenciação dos tipos de surdez se refere à origem anatômica do problema auditivo.  Assim, seguindo os achados da audiometria, podemos classificar a disacusia como condutiva, sensorioneural ou mista.

A anatomia da orelha está representada na figura acima. Seguindo a divisão da orelha em externa, média e interna, podemos dizer que:

A surdez condutiva origina-se de problemas que ocorrem na orelha externa ou média.

A surdez sensorioneural origina-se de problemas causados na orelha interna

A surdez mista é uma soma das duas anteriores.

Concluindo, quando queremos falar sobre as características de uma perda auditiva, o correto é a classificarmos de acordo com seu tipo (condutiva, sensorioneural ou mista) e grau (leve, moderada, severa ou profunda). O uso de percentuais só é válido para medir acertos e erros em testes de fala, que chamamos de discriminação. Assim, é errado dizer “perdi 60 ou 70% da audição”.